Dólar sobe a R$ 5,38 e Bolsa cai quase 2,5%, por eleições, Fed e balanços
A moeda americana iniciou a sessão de quarta-feira apresentando uma valorização frente à divisa brasileira, chegando à marca de R$ 5,36 para venda no mercado comercial. O movimento representa uma ligeira retomada após o fechamento anterior, quando o dólar havia recuado das máximas alcançadas nos dias imediatamente após o pleito eleitoral de outubro. O mercado financeiro se vê envolvido em um cenário de múltiplas frentes: os ajustes decorrentes dos resultados das urnas, a deliberação do banco central americano sobre a taxa de juros e o período intenso de divulgação de balanços de grandes corporações.
Dólar em alta: os números de quarta-feira
A cotação do dólar para venda abriu o dia de quarta na faixa de R$ 5,359, refletindo uma pequena variação positiva de 0,16% em comparação com o encerramento da sessão anterior. Este movimento de alta segue um padrão de recuperação observado nos últimos dias, pois a moeda americana havia recuado 0,97% no dia anterior, fechando em R$ 5,350.
A recuperação de hoje ocorre após uma sequência de oscilações mais acentuadas. Na primeira sessão seguinte aos resultados eleitorais, o dólar experimentou uma disparada notória, subindo aproximadamente 8,2% após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Partido dos Trabalhadores. Durante o auge dessa movimentação, a moeda chegou a ser cotada a R$ 5,60 em certos momentos do pregão daquele dia.
A volatilidade refletiu reações do mercado às sinalizações políticas e econômicas. Desde então, as cotações apresentaram certa acomodação, com o mercado buscando se equilibrar conforme absorvia as implicações do resultado eleitoral para a economia brasileira.
Os fatores por trás da volatilidade
Segundo análises de profissionais do mercado, a fase mais intensa de liquidação forçada de posições pode estar chegando ao fim. No entanto, qualquer confirmação dessa estabilização dependerá fortemente das sinalizações que virão a respeito da composição da equipe econômica do governo eleito, além de indicadores sobre como será abordado o controle dos gastos públicos e qual será a trajetória esperada para a dívida pública.
A manutenção de uma volatilidade elevada ainda é esperada pelos analistas consultados, que alertam para a necessidade de observar atentamente as próximas movimentações em torno dessa pauta fiscal. Conforme observou Gustavo Assis, CEO de uma das principais gestoras de ativos do país, a confirmação de uma verdadeira estabilização ainda deverá depender desses sinais que o governo eleito enviará nos próximos dias e semanas.
A decisão do Federal Reserve e seus efeitos globais
Na agenda internacional, os mercados aguardavam com atenção a decisão de política monetária do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. O organismo estava prestes a anunciar se manteria ou alteraria sua taxa de juros de referência durante encontro de caráter deliberativo realizado no mesmo dia.
As expectativas dos investidores apontavam para uma manutenção da faixa atual, situada entre 3,75% e 4% ao ano. Cerca de 90% dos agentes participantes do mercado apostavam nessa manutenção do status quo, especialmente considerando que o Fed havia promovido um aumento de 0,25 ponto percentual em sua taxa de referência durante seu encontro de setembro.
Para a economia brasileira, as decisões sobre juros americanos possuem implicações diretas e significativas. Quando os juros nos Estados Unidos permanecem em patamares elevados, o dólar tende a se fortalecer em relação a outras moedas, incluindo o real. Essa dinâmica ocorre porque aplicações em dólares se tornam comparativamente mais atrativas para investidores globais em busca de rentabilidade. No caso específico do Brasil, essa valorização da moeda estrangeira pressionaria os preços internos, alimentando pressões inflacionárias.
Essas pressões sobre a inflação, por sua vez, reduzem a margem de manobra do Banco Central brasileiro para reduzir sua taxa de juros básica, a Selic, que estava situada em 13,5% ao ano no momento da reportagem. O banco central do Brasil estava agendado para reunir seu Comitê de Política Monetária, o Copom, na semana seguinte, momento em que poderia revisar sua postura ante as condições econômicas apresentadas.
O mercado de ações e os resultados corporativos
As bolsas de valores ao redor do globo operavam sem direcionamento único e predominante no dia em questão, pois o mercado atravessava a temporada intensiva de divulgação de resultados empresariais relativos ao terceiro trimestre do ano. Essa é uma época em que grandes corporações revelam seus números de lucro, receita e demais indicadores de desempenho, gerando volatilidade e oportunidades de reposicionamento de carteiras.
No Brasil, a Bolsa de Valores, representada pelo índice Ibovespa que agrupa as ações mais negociadas da praça, apresentava um quadro de ajustes. Depois de ter recuado quase 14% no pregão de segunda-feira, o índice havia esboçado uma recuperação no dia anterior, porém perdeu força ao longo do pregão, encerrando com queda de 0,51% e fechando nos 175.710 pontos.
Entre os destaques de divulgação de balanços, o Banco Santander Brasil revelou números que indicavam pressão sobre sua rentabilidade. O lucro líquido do terceiro trimestre alcançou R$ 2,89 bilhões, o que representava uma contração de 28% em relação ao trimestre anterior. A provisão que o banco reservava para cobrir possíveis inadimplências, conhecida como PDD, atingiu R$ 7,46 bilhões, marcando um aumento de 14,3% em relação ao terceiro trimestre do ano anterior.
O indicador de inadimplência também acelerou sua trajetória de deterioração. Clientes com atrasos superiores a 90 dias chegaram a representar 3,4% da carteira de crédito, variação de 0,1 ponto percentual na comparação trimestral, porém de 0,6 ponto percentual quando medido em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.
Outro destaque foi a empresa Klabin, produtora de papéis e derivados, que reportou lucro de R$ 393 milhões no terceiro trimestre, cifra que representava uma queda de 17,8% na comparação ano a ano. Essa redução refletiu uma retração de R$ 262 milhões em seu Ebitda ajustado, indicador de capacidade de geração de caixa.
Em escala global, os investidores mantinham atenção especial no setor de inteligência artificial, aguardando pela divulgação dos balanços de gigantes tecnológicas como Alphabet e Microsoft, cujos resultados poderiam oferecer pistas sobre a trajetória do setor.
Contexto: política econômica e mercados financeiros
A reação do dólar às eleições brasileiras refletiu uma dinâmica comum em mercados de economias emergentes: incerteza sobre a orientação política se traduz em pressão sobre a moeda local. O cenário fica mais complexo quando combinado com fatores externos, como a política de juros americana e preços de commodities como petróleo, que também operava em alta no período.
A dívida pública brasileira e a capacidade do governo de controlá-la representam uma preocupação permanente para investidores estrangeiros e domésticos. Quando esses atores temem que a dinâmica fiscal se deteriore, realocam suas posições na tentativa de reduzir exposição ao real, aumentando a demanda por dólares e pressionando a cotação.
O que acompanhar
A confirmação de estabilização do dólar em patamares menos voláteis dependerá das sinalizações que o novo governo enviará sobre sua equipe econômica, política de gastos e trajetória de endividamento. A decisão do Federal Reserve sobre juros americanos terá implicações diretas para a pressão sobre o dólar em relação ao real. A próxima reunião do Copom será momento-chave para avaliar se o Banco Central brasileiro considerará que a inflação pressiona margens para reduciones nas taxas. Os balanços continuarão sendo divulgados, oferecendo pistas sobre se a economia brasileira está conseguindo navegar o período pós-eleitoral sem maiores danos ao desempenho das empresas.
Principais pontos:
• O dólar abriu a quarta-feira em R$ 5,36, após recuar de máximas de R$ 5,60 alcançadas logo após as eleições
• O Federal Reserve estava prestes a decidir sobre manutenção de juros entre 3,75% e 4% ao ano, tendência que afeta a moeda brasileira
• O Banco Central brasileiro tem margem reduzida para cortar juros devido às pressões inflacionárias causadas pelo dólar mais alto
• Balanços de corporações como Santander e Klabin mostraram pressão sobre resultados, com inadimplência acelerada no caso bancário
Matéria produzida pela Redação 5News com apoio de inteligência artificial a partir da apuração de UOL Economia — os fatos do episódio vêm da matéria original; o contexto usa informação pública consolidada. Veja nossa política editorial. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.