Seca expôs 38% das áreas habitadas da Amazônia no último El Niño
Mais de um terço das localidades habitadas da Amazônia ficou exposto aos efeitos da seca durante o El Niño de 2024, segundo levantamento divulgado ontem pelo MapBiomas.
Dos 5.673 locais registrados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2.172, o equivalente a 38%, foram classificados com alta exposição ao fenômeno entre setembro e novembro daquele ano.
O resultado ganha atenção diante das previsões de uma nova ocorrência do fenômeno climático El Niño em 2026.
Neste sábado, comemora-se o Dia da Amazônia.
O estudo divulgado pelo MapBiomas cruzou informações sobre redução da superfície de água e volume de chuva para avaliar a exposição das populações amazônicas.
A análise incluiu cidades, vilas, núcleos urbanos, povoados, lugarejos, núcleos rurais, localidades indígenas e quilombolas, além de agrovilas e áreas de assentamento.
Em 2024, 5.273 localidades, ou 93% do total, estavam a até cinco quilômetros de áreas que registraram redução da superfície de água.
Leia também: Seca na Amazônia afetou 38% das áreas habitadas no último El Niño Entre setembro e novembro de 2024, a Amazônia tinha 1,9 milhão de hectares de superfície de água a menos em comparação com a média histórica do período entre 1985 e 2025.
A quantidade de chuva também ficou 27% abaixo do padrão histórico.
No mesmo intervalo, a temperatura máxima média foi 2,6°C superior à registrada normalmente.
Segundo a professora Luciana Rizzo, da Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora do MapBiomas Atmosfera, "diversos modelos climáticos preveem chuva abaixo da média para o bioma Amazônia no trimestre de setembro a novembro de 2026, com temperaturas até 1°C acima do normal".
Impacto local O El Niño ocorre quando há aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical, alterando a circulação atmosférica e a distribuição das chuvas.
Na Amazônia, o fenômeno pode reduzir a precipitação e elevar as temperaturas, afetando rios, áreas de vegetação e atividades realizadas pelas comunidades.
Bruno Ferreira, pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e integrante da equipe do MapBiomas, explica que "menos chuva e temperaturas mais elevadas aumentam a demanda evaporativa na atmosfera, favorecendo a perda de água do solo e o estresse hídrico da vegetação".
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