Na companhia da pobreza: a medicina que poucos escolhem
Por que muitos de nós escolhem fazer medicina? A história de vida, marcada por experiências impactantes, orienta o ser humano em direção à sua missão e influencia suas escolhas.
“Nunca se esqueça de onde você veio e para onde você vai.” A frase que escrevi em um de meus cadernos da época de graduação trazia à memória os motivos que me fizeram escolher medicina.
A medicina como propósito de ajuda ao próximo.
O sentimento de cumprir uma missão pessoal se misturava a uma causa maior: salvar vidas.
Desde a adolescência, o propósito se firmava com a entrada em projetos de voluntariado.
Mas o que poderia ser transformado se, além da doação material e do acolhimento, também fosse possível a melhoria do cenário de saúde? Se uma vez formados médicos, conseguíssemos atuar em contextos extremos, prestando serviços aos que mais precisam e modificando realidades? Porém, atender uma e outra pessoa individualmente não parecia suficiente.
Fatores externos eram decisivos para bons resultados, como acesso à saúde, moradia digna, educação.
Como fazer saúde sem olhar para o social? Medicina para quê e para quem? “Para ser doutor, você precisa ser o melhor”, diziam professores e colegas.
Em um clima de concorrência, o valor de notas e o número de inscritos direcionavam a ideia do ser médico para uma expectativa de prestígio.
Mas qual o sentido da valorização social sem o trabalho por valores? A arte e a literatura são dimensões inerentes à experiência humana, capazes de inspirar momentos, marcando diferentes capítulos da história.
A busca por ser o Vitorioso.
A necessidade de sobrevivência.
Semelhante à preparação de jovens da nação Panem para o combate na arena de Jogos vorazes, obra de Suzanne Collins.
Porém, da aprovação à prática médica, pessoas se perdem no processo.
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