Polícia investiga homicídio em morte de paciente do Hospital do Servidor de SP
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
A Polícia Civil de São Paulo investiga a hipótese de homicídio na morte de um paciente no Hospital do Servidor Público Estadual ( HSPE ), na capital paulista.
Anderson Isach de Souza Gomes, 48, servidor do Ministério Público estadual, morreu no HSPE em 9 de novembro de 2025, vítima de sepse e pneumonia por broncoaspiração, nove dias após uma cirurgia para tratar um câncer de próstata em um hospital particular de São Paulo.
O prontuário médico anexado ao inquérito, ao qual a Folha teve acesso, registra desencontros e falhas de comunicação entre as equipes da unidade, onde o paciente foi internado após complicações, com médicos apontando supostos erros de colegas.
De acordo com perícia contratada pela família, a morte foi consequência de "erros médicos graves".
O inquérito apura homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A investigação, conduzida pelo 16º DP (Vila Clementino), tenta responder se os médicos que atenderam Gomes desrespeitaram protocolos clínicos.
Responsável pela administração do Hospital do Servidor, o Iamspe (Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual) diz que apura as circunstâncias do atendimento e colabora com a Justiça. Além do inquérito policial, há uma ação indenizatória movida pela família contra o instituto.
Gomes era oficial de Promotoria em Tatuí (a 142 km de São Paulo). Em 2025, recebeu o diagnóstico de câncer de próstata e marcou para setembro uma consulta na urologia do HSPE.
Os registros indicam que o paciente foi atendido pelo urologista Thiago Hemerly, mas um familiar disse à reportagem que um médico residente fez a consulta. Na ocasião, Gomes foi orientado a remover o tumor, com indicação de cirurgia robótica , modalidade menos invasiva e com recuperação habitualmente mais rápida. Em um hospital particular, sob responsabilidade de Hemerly, a cirurgia robótica custaria R$ 55 mil.
Caso optasse pelo procedimento no Hospital do Servidor, o paciente teria de aguardar em fila, sem garantia de acesso à técnica robótica nem previsão de quando seria operado. Gomes então concordou em pagar pelo procedimento particular. No inquérito constam os comprovantes de pagamento em favor de Hemerly.
A Folha questionou o Iamspe sobre a disponibilidade de cirurgia robótica no HSPE ou em unidades credenciadas, bem como sobre o tamanho da fila de espera por procedimentos eletivos. O instituto não respondeu a essas perguntas. Nos últimos anos, o Hospital do Servidor tem sido alvo de queixas de usuários sobre problemas na assistência .
O familiar acusa Hemerly de ter usado o HSPE para atrair Gomes à cirurgia particular. A postura do médico após a operação, diz, foi de desleixo, alternando orientações a distância e decisões em conjunto com médicos residentes.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.