Artigo de primo de Mendonça, pastor e dirigente do PT, é visto como dura crítica ao ministro
Uma reflexão publicada nesta quarta-feira (16) trouxe um ingrediente familiar, religioso e político inédito para o centro das atenções da crise vivida pelo Judiciário.
O teólogo e pastor presbiteriano Luis Alberto de Mendonca Sabanay, dirigente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) e primo do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, assinou um contundente artigo analítico que caiu nas redes como uma bomba.
O texto vem sendo interpretado no ambiente político e nos bastidores do meio jurídico como uma reprimenda direta e profunda à postura institucional assumida pelo magistrado na Corte.
A manifestação pública ocorre em um momento de extrema volatilidade política no Supremo.
André Mendonça, indicado ao cargo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sob a célebre promessa de elevar ao STF alguém “terrivelmente evangélico”, acumula críticas frequentes por transformar a tribuna da Corte num espaço de exortação confessional.
Paralelamente, o ministro é alvo de contestação constante por alinhar de forma sistemática suas teses e votos aos interesses estratégicos e ideológicos do clã Bolsonaro e do eleitorado dito “conservador”.
O estopim para a intervenção do pastor e dirigente partidário, embora isso não seja dito ou admitido, teria sido o ruidoso entrevero ocorrido no plenário entre André Mendonça e o decano do tribunal, ministro Gilmar Mendes, durante a sessão de terça-feira (15), em meio a acalorados debates jurídicos envolvendo a Petição 16.662.
Mendes disparou a frase categórica de que “em nome de Deus já se fez muita patifaria”.
É exatamente essa citação que abre o manifesto escrito pelo primo do magistrado.
Fé não é blindagem institucional No artigo intitulado “Quando Deus entra na política, quem fala em seu nome?” , Sabanay procura desmontar a narrativa de que eventuais questionamentos ao comportamento de autoridades evangélicas no Judiciário representem perseguição ou intolerância religiosa.
O dirigente petista faz questão de estabelecer uma fronteira límpida entre o livre direito à crença individual e o dever republicano no exercício de uma função pública de Estado.
“ O problema começa quando símbolos religiosos são usados para blindar posições políticas contra a crítica.
Nesse momento, já não estamos diante de uma fé que questiona o poder, mas de um poder que aprendeu a falar a linguagem da fé ” , aponta o teólogo.
Em um tom focado no rigor constitucional, ele enfatiza que a profissão de fé de um julgador jamais pode se sobrepor ou substituir o ordenamento jurídico e a técnica legal nas decisões republicanas: “Um magistrado pode professar qualquer religião, mas sua decisão precisa encontrar fundamento no direito, e não em uma suposta autoridade espiritual.
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