Líder da favela do Moinho, Alessandra Moja, é solta pela Justiça de SP
A Justiça de São Paulo determinou a soltura de Alessandra Moja Cunha, líder comunitária da favela do Moinho, no centro da capital, após mais de um ano de prisão preventiva. A decisão, tomada na terça-feira, levou em consideração a situação familiar da acusada.
A decisão foi tomada pelo juiz Antonio Carlos Costa Pessoa Martins, da 1ª Vara de Organizações Criminosas de São Paulo. O magistrado substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares, apesar da manifestação contrária do Ministério Público.
O juiz considerou que a manutenção da prisão se tornou desproporcional diante da situação familiar de Alessandra. Ela é mãe de uma adolescente e de um filho com transtorno do espectro autista, que necessita de cuidados específicos. A decisão também levou em conta o cumprimento integral de uma pena anterior.
A líder comunitária é acusada de cobrar propina de moradores da favela do Moinho . As supostas cobranças envolviam famílias beneficiadas por um acordo entre os governos estadual e federal para receber moradias gratuitas. A mulher nega as acusações.
Alessandra terá de cumprir quatro medidas para permanecer em liberdade. Ela não poderá sair da comarca onde mora sem autorização judicial, deverá comparecer à Justiça a cada dois meses e está proibida de frequentar a região central de São Paulo. Também não poderá manter contato com os demais acusados no processo, exceto parentes ou pessoas com quem tenha vínculo conjugal.
A líder comunitária poderá responder ao processo em liberdade. Na decisão, o juiz reconheceu que a complexidade do caso justifica a duração da investigação judicial, mas considerou que razões humanitárias exigem a substituição da prisão para que Alessandra possa cuidar dos filhos.
A prisão de Alessandra é fruto de interesses políticos para calar uma líder comunitária que foi responsável por articular junto com os órgãos oficiais e a população do Moinho um acordo de reassentamento chave-a-chave a todos os moradores. Anunciada no debate eleitoral como "traficante", Alessandra provará sua inocência. Defesa de Alessandra Moja
Alessandra foi presa em setembro de 2025, durante a Operação Sharpe, na favela do Moinho. Outras nove pessoas foram alvo da operação, incluindo seu marido, Roberto Gonçalves da Cruz, e sua filha, Yasmin Moja.
O Ministério Público acusa Alessandra de cobrar propina de moradores beneficiados por um programa de reassentamento. O acordo entre os governos estadual e federal prevê a transferência de famílias do Moinho para moradias gratuitas. A líder comunitária nega as acusações.
A polícia afirmou ter encontrado drogas na casa de Alessandra. Ela e o marido foram presos em flagrante. Alessandra é irmã de Léo do Moinho, acusado de comandar o PCC na região.
Alessandra também denunciou agressões e ameaças de choque elétrico durante a prisão. Segundo seu depoimento revelado por reportagem do UOL , policiais deram um soco em seu peito, cobriram sua boca com uma toalha e ameaçaram aplicar choques para obrigá-la a desbloquear o celular.
A Corregedoria da Polícia Militar abriu uma investigação sobre a atuação dos agentes. A apuração foi determinada após o relato de Alessandra à Polícia Civil e à Justiça.
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