sexta-feira, 16 de outubro de 2026 📬 Resumo no TelegramPortaisSobre🌓
🇧🇷 BR ▾
ÚLTIMAS
Tecnologia

Por que proibir redes sociais a adolescentes não significa protegê-los

UOL Tilt ·
Por que proibir redes sociais a adolescentes não significa protegê-los

Uma menina de 12 anos explicou a pesquisadores da Universidade de Melbourne, na Austrália, como foi possível burlar o reconhecimento facial de redes sociais que estima a idade: "Alguém usou uma barba de Papai Noel. E funcionou". O estudo ouviu quinze adolescentes australianos de 12 a 16 anos, logo depois de entrar em vigor, em dezembro de 2025, a proibição de acesso às plataformas para menores de 16 anos. Entre eles, a maioria achava a regra injusta e ineficaz, e muitos já tinham encontrado maneiras de a driblar.

No Brasil, a semana das crianças nos faz lembrar do direito à proteção, mas também o da participação. A Convenção sobre os Direitos da Criança, tratado internacional que vigora desde os anos de 1990, aborda o direito à participação de duas formas: tomar parte na vida social - que, hoje, inclui a internet - e ser ouvido nas decisões que a afetam. A proibição de acesso a redes sociais atinge o primeiro ponto sem passar pelo segundo.

Em julho, o Parlamento francês aprovou a proibição a essas plataformas para menores de 15 anos, seguindo a Austrália, que aplica o limite de 16 anos, e antecedendo o Reino Unido, que pretende fazer o mesmo a partir de 2027. No Brasil, há poucos dias, foi protocolado na Câmara dos Deputados um projeto de lei (o PL 5.498/2026) que, entre outros pontos, impede que menores de 13 anos tenham contas próprias em redes sociais.

A justificativa comum a essas iniciativas é que o uso precoce e excessivo de telas está associado a ansiedade, depressão, distúrbios do sono e queda no desempenho escolar. A relação entre redes e saúde mental, porém, é disputada. Autor de "A geração ansiosa", o psicólogo social norte-americano Jonathan Haidt sustenta haver uma epidemia de adoecimento; já as psicólogas britânica, Amy Orben, e canadense, Candice Odgers, além da revisão das Academias Nacionais de Ciências dos EUA, entendem que os dados mostram correlação, não causa.

A partir das experiências internacionais, já é possível dizer que, onde os adolescentes foram ouvidos, a medida adotada foi diferente de apenas um banimento cego.

Na consulta pública realizada pelo Reino Unido, por exemplo, enquanto 90% dos pais apoiaram proibir redes para menores de 16 anos, apenas 19% dos 14 mil jovens consultados concordaram. A maioria indicou que se sentiria mais segura com ferramentas que restringissem o envio de imagens íntimas, o compartilhamento de localização e a conversa com estranhos.

O governo britânico registrou a divergência: as crianças "tendem a preferir uma abordagem mais seletiva", que restrinja funcionalidades em vez de proibir o acesso. Fez isso nos jogos e em outros serviços. Nas redes sociais, seguiu os pais e decidiu pela proibição a partir de 2027.

No entanto, para além do banimento, é preciso olhar para o desenho das plataformas.

Ou seja, se o problema é o design, proibir o acesso não resolve: apenas adia o encontro.

Ler a notícia completa no UOL Tilt ›

Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Tilt.

Mais de UOL Tilt

Ver tudo ›

Mais em Tecnologia

Ver tudo ›