Flamengo não pode passar 90 minutos sem finalizar no gol, mas passou
O Flamengo saiu de La Plata com um empate que mantém aberta a disputa por uma vaga na final da Libertadores. Mas o 0 a 0 com o Estudiantes não pode servir de esconderijo para uma atuação ofensiva tão pobre. Em 90 minutos, nenhuma finalização no alvo. Um time com os recursos e a qualidade do campeão do Brasil e da América precisa oferecer muito mais.
É perfeitamente compreensível adotar cuidados fora de casa, especialmente numa semifinal. O adversário joga, pressiona e impõe dificuldades. Tudo isso faz parte da competição. O que não se pode aceitar é atravessar uma partida inteira sem obrigar o goleiro rival a defender uma bola. Respeitar o Estudiantes também exige encontrar maneiras de superar sua marcação.
As ausências de Arrascaeta e Jorginho pesam, evidentemente. Mas o Flamengo tem elenco para apresentar soluções. Cabe à comissão técnica construir alternativas, e aos jogadores executar melhor. Se o time depende da presença de todos os seus principais nomes para conseguir acertar o gol, há um problema que precisa ser enfrentado.
Pior foram as, digamos, não justificativas do técnico Leonardo Jardim na entrevista coletiva após a peleja. Ele não conseguiu ser minimamente convincente quando questionado quanto à demora para mexer na equipe — as primeiras trocas, com as entradas de Plata e Pedro, só ocorreram aos 35 minutos do segundo tempo —, sendo que sua equipe não ameaçava o time de La Plata.
O empate permite decidir no Maracanã em condições de buscar a classificação. Isso tem valor, mas não transforma a atuação na Argentina em algo aceitável. O Flamengo pode até conseguir a vaga na próxima semana. Ainda assim, os 90 minutos sem uma finalização no alvo continuarão sendo muito pouco para quem pretende conquistar a América mais uma vez.
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