Lula diz a Trump que Brasil não precisa de classificação para PCC e CV
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta sexta-feira (21/8), ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o Brasil não precisa de uma classificação internacional para combater organizações criminosas que atuam no país.
A declaração ocorreu durante uma conversa por telefone entre os dois líderes.
A ligação teve cerca de 1h20 de duração.
Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), Lula reiterou o interesse brasileiro em ampliar a cooperação com os Estados Unidos no enfrentamento ao crime organizado, mas destacou que as facções criminosas brasileiras não se confundem com organizações terroristas.
Na conversa, o presidente brasileiro afirmou que grupos criminosos “exercem terror cotidiano” sobre as populações mais vulneráveis, mas defendeu que o combate a essas organizações deve ocorrer dentro dos instrumentos previstos pelo próprio Estado brasileiro.
Lula citou medidas adotadas pelo governo para enfrentar as facções, incluindo a estratégia de asfixia financeira do crime organizado.
Segundo a Secom, as ações já resultaram na apreensão de cerca de R$ 17 bilhões em recursos ligados à criminalidade.
3 imagens Fechar modal.
1 de 3 Arte Metrópoles/Carla Sena 2 de 3 Lula e Trump em encontro na Casa Branca Ricardo Stuckert/Presidência da República 3 de 3 Governo Trump diz que PCC e CV atuam em 12 estados dos EUA Arte Metrópoles/Otávio Augusto PCC e Comando Vermelho A posição apresentada por Lula ocorre em meio à decisão do governo norte-americano de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
A designação feita pelos Estados Unidos produz efeitos dentro da legislação e do sistema norte-americanos, como sanções financeiras e restrições relacionadas a pessoas e empresas acusadas de prestar apoio material aos grupos.
Ela, no entanto, não transforma automaticamente as facções em organizações terroristas perante a legislação brasileira.
Conforme o esclarecido pelo Departamento de Estado dos EUA ao Metrópoles , o enquadramento também não significa, por si só, autorização automática para uma operação militar dos Estados Unidos contra esses grupos.
A classificação produz principalmente consequências jurídicas, financeiras e administrativas dentro da jurisdição norte-americana.
O governo Lula já havia manifestado resistência à classificação, sob o argumento de que o enquadramento como terrorismo poderia ampliar a margem para uma atuação dos Estados Unidos em território brasileiro.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.metropoles.com — o conteúdo pertence a Metrópoles.