Brasileiro morto na guerra da Ucrânia buscava custear tratamento da filha com salário de combatente, diz viúva
Tiago Rodrigues Marques, gaúcho morto por ataque a drone na Ucrânia Arquivo pessoal Um brasileiro de 41 anos que morreu em um ataque de drone na Ucrânia havia retornado ao país para tentar obter recursos para o tratamento da filha de 5 anos, que tem transtorno do espectro autista, segundo a esposa.
Morador de Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, ele estava na região de Donbas e morreu em 24 de agosto, dia do aniversário dele.
Tiago Rodrigues Marques estava na Ucrânia desde março.
A esposa, Marili Rodrigues, de 40 anos, afirma que ele voltou ao país após receber uma promessa de remuneração.
A família era contrária à viagem, e Tiago embarcou sem avisar os parentes. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp 👉🏼 O que é Donbas: é uma região no leste da Ucrânia formada por Donetsk e Luhansk, historicamente ligada à Rússia e importante centro industrial e minerador desde o século 19.
Desde 2014, tornou-se foco de conflito entre Moscou e Kiev, após a Revolução da Praça Maidan, que depôs o presidente pró-Rússia Viktor Yanukovich, e a anexação da Crimeia.
Além do peso econômico, tem grande valor estratégico, pois conecta a Rússia à Crimeia e é considerado vital para a defesa ucraniana O homem deixa uma esposa, uma filha de 5 anos e duas enteadas.
Segundo Marili, o casal enfrentava dificuldades para arcar com o tratamento da menina.
Tiago acreditava que o pagamento pelo trabalho como combatente poderia melhorar as condições financeiras da família.
"O Tiago foi para lá em busca de condições melhores para o tratamento, porque eles ofereciam um salário de R$ 50 mil.
Só que, quando eles chegaram lá, era 50 mil Grívnia (ou Hryvnia, moeda ucraniana), não euros.
E tinha bônus separado por missão, de 70 mil Grívnias, que hoje daria R$ 8 mil.
Ele teria recebido na conta dele na segunda, mas ele já estava morto", conta.
Marili diz que o valor foi depositado em uma conta na Ucrânia à qual a família não tem acesso.
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