A memória é uma boa conselheira; o retrovisor, não!
Começar este texto com esse título tem apenas um objetivo: fazer nossa militância refletir e olhar para a frente.
Não se é mais puro por olhar para trás o tempo todo, tampouco olhar para a frente significa ignorar os ensinamentos do passado.
Essa é uma falsa dicotomia que precisa ser enfrentada com serenidade por nossa militância.
Os anos de 2014, 2015 e 2016, inaugurados pela — ainda não bem compreendida — catarse de junho de 2013, foram traumáticos para a esquerda, para nossa militância, para a democracia e para o Brasil.
O golpe que apeou uma presidenta honesta do Palácio do Planalto permitiu que águas turvas rompessem a represa do bom senso e poluíssem, na sociedade, consensos construídos pelas lutas sociais contra o autoritarismo e a violência.
Esses consensos foram consagrados e impressos na Constituição Cidadã de 1988.
Esse trauma nos fez temer, sem trocadilhos, a traição daqueles que, pontual e taticamente, convergem conosco na leitura da conjuntura.
Seria incrível se pudéssemos construir uma maioria parlamentar, vencer as eleições presidenciais com Lula e ter governabilidade apenas com nossos partidos, sem alianças amplas.
Mas essa nunca foi a realidade do Brasil e sequer continua sendo uma realidade nas democracias europeias que historicamente nos influenciam.
Por esse motivo, é preciso olhar para a frente sem deixar que a memória perca os ensinamentos do passado.
Hoje, em 2026, dez anos após o golpe, o que honra a luta de Dilma Rousseff — não apenas a presidenta, mas, sobretudo, a militante que deu suor, sangue e lágrimas contra a ditadura — é não permitir que o herdeiro político e sanguíneo de quem celebrou o cruel torturador-mor esteja sentado na cadeira de presidente.
O que precisamos, hoje, é não permitir que os seguidores de Ustra façam maioria no Senado e destruam as conquistas inscritas na Constituição.
O que devemos fazer é impedir — convencendo o povo, detentor do voto — que o voto popular tenha o mesmo efeito destrutivo da caneta que assinou o AI-5.
No Rio de Janeiro e em todo o Brasil, nossos inimigos não são aqueles que estão ao lado de Lula, caminhando e pedindo votos por um projeto de país soberano.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistaforum.com.br — o conteúdo pertence a Revista Fórum.