O que Lula pode falar sobre o Supremo para garantir a eleição no primeiro turno
Tem gente que acha que eleição se ganha só com PIB, emprego e programas sociais.
Isso é verdade, mas já foi muito mais importante antes da universalização da internet.
Agora os candidatos precisam interagir com a pauta do dia.
E a pauta deste momento é a crise do Supremo Tribunal Federal.
Pesquisa da Atlas divulgada ontem mostra que 85,1% da população acredita que ministros do STF estão envolvidos, de alguma forma, nos crimes do Banco Master.
A maioria esmagadora acha que a Corte cheira a escândalo.
E isso aparece direto na avaliação: 61% desconfiam da Suprema Corte, contra só 27% que confiam.
Só perde, em credibilidade, para o Congresso — que infelizmente historicamente é o porão da confiança institucional no Brasil.
E para as igrejas evangélicas, o que de alguma forma é até surpreendente.
Uma instituição que deveria ser o topo da confiança pública virou, na cabeça do eleitor, uma das mais desacreditada.
Isso é gravíssimo para a democracia, mas também é uma oportunidade política enorme para se fazer uma necessária reforma no judiciário.
Se Lula colocar na mesa uma proposta de reforma centrada no Supremo — mandato fixo, idade mínima e idade máxima para os indicados e código de ética travado com punição para presente, jatinho, curso pago, favores de advogados que atuam na Corte — ele vira dono da pauta.
E dono da pauta, nesse momento do país pode significar se tornar dono do voto de uma parcela importante dos indecisos.
Tem um detalhe estratégico que pouca gente está enxergando: *Lula pode amarrar o compromisso de só indicar os próximos ministros do STF se eleito depois que essa reforma estiver valendo.* Isso tira munição imediata do discurso bolsonarista de que “o Lula vai aparelhar o Supremo” — porque ele estaria, na prática, abrindo mão de indicar pelas regras de hoje e se submetendo a um filtro novo, mais rígido, criado antes de qualquer nome ser indicado.
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