Paciente com Crohn relata crises com mais de 30 idas ao banheiro por dia
A diarreia começou em 1997, quando Júlia Assis, hoje com 51 anos, cursava odontologia.
No início, ela acreditou que o problema pudesse estar relacionado à alimentação, mas os sintomas persistiram por meses e passaram a interferir na rotina.
O diagnóstico da doença de Crohn levou mais de um ano e, segundo Júlia, o medo e a falta de informação também atrasaram a investigação.
“Quando precisei fazer exames de colonoscopia e retossigmoidoscopia eu sumi do consultório por preconceito e falta de informação, tanto em relação ao exame como em relação à doença”, relembra.
Ao longo dos anos, as crises se tornaram mais graves.
Júlia chegou a evacuar mais de 30 vezes por dia, precisou usar fraldas, cancelar compromissos e se afastar do trabalho.
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A doença também mudou a trajetória profissional da cirurgiã-dentista, que fechou o consultório, deixou o atendimento clínico no SUS e acabou aposentada por incapacidade permanente.
O que é a doença de Crohn A doença de Crohn é uma inflamação crônica que pode atingir qualquer parte do aparelho digestivo , embora o intestino delgado, o cólon e a região perianal estejam entre as áreas mais afetadas.
O quadro alterna períodos de atividade e remissão e, atualmente, não há tratamento clínico ou cirúrgico capaz de curar a doença.
Segundo o novo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde, a diarreia é o sintoma mais comum no momento do diagnóstico , seguida pela dor abdominal, pela perda de peso e pelo sangramento intestinal.
Febre, palidez, fístulas e fissuras perianais também podem ocorrer.
A origem da doença ainda não é totalmente conhecida.
O protocolo aponta associação com fatores como alterações genéticas, tabagismo e hábitos alimentares , mas não estabelece uma única causa para o desenvolvimento da condição.
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