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Até onde a Selic pode cair?

Folha de S.Paulo ·
Até onde a Selic pode cair?

Diretora de macroeconomia para o Brasil no UBS Global Wealth Management

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A economia brasileira perdeu fôlego desde a última reunião do Copom e abriu espaço para o Banco Central seguir com o ciclo de cortes. Mas crescer menos, por si só, não basta para que a Selic possa cair muito mais.

A questão central é saber se a desaceleração será suficiente para reconduzir a inflação à meta, reancorar as expectativas e preservar a credibilidade da política monetária. A atual dinâmica da dívida pública, se persistir, atua na direção oposta: mantém pressionadas as expectativas de inflação e pode, em algum momento, alcançar o câmbio.

Nesse caso, parte da desinflação produzida pela demanda mais fraca será neutralizada, estreitando o espaço para reduções mais expressivas dos juros .

Esse risco cresceu com a mudança do cenário externo. É difícil imaginar o dólar persistentemente fraco quando o Fed volta a elevar os juros e sinaliza que eles permanecerão altos por bastante tempo. A alta de 25 pontos-base anunciada hoje, que levou a faixa dos Fed Funds para 3,75% a 4% , ganhou peso por vir acompanhada de uma normalização muito lenta e de uma revisão para cima da estimativa de juro neutro.

A mensagem é clara: a política monetária precisará operar em terreno mais restritivo não apenas agora, mas por um período prolongado. O discurso também ganhou credibilidade porque, desta vez, a retórica dura veio acompanhada de ação.

Ao subir os juros e admitir novas altas, o Fed deixou claro que a estabilidade de preços terá precedência sobre o risco de algum enfraquecimento da atividade.

Essa postura se apoia em um diagnóstico mais firme sobre a economia americana. O consumo segue resiliente, o mercado de trabalho permanece robusto e as projeções passaram a combinar crescimento maior com desemprego menor, enquanto a inflação continua acima do desejado.

A alta do petróleo torna o quadro ainda mais delicado. Em circunstâncias normais, um choque temporário de energia poderia ser tratado como passageiro; após anos de inflação acima da meta e sucessivas surpresas, porém, aumenta o risco de propagação para outros preços, salários e expectativas.

Para o Brasil, a combinação de um dólar mais forte com um diferencial de juros menor, embora ainda elevado, reduz a sustentação externa do real. Somada à fragilidade fiscal, essa configuração pode neutralizar parte da desinflação decorrente da atividade mais fraca e estabelecer um piso para a queda da Selic.

Apesar desse cenário global mais desafiador, o Copom reduziu a Selic em 25 pontos-base, para 13,75% , com uma comunicação muito semelhante à da reunião anterior.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.

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