Lula se ausenta, mas 'Brics maior' volta a ser tábua de salvação
Na chamada foto de família dos membros plenos do grupo Brics, em Nova Déli, o anfitrião Narendra Modi apareceu entre Xi Jinping e Vladimir Putin, os três no centro —e, em algumas versões, de mãos dadas. O representante do Brasil, ministro Mauro Vieira, ficou no canto mais distante.
Na foto que acrescentou os demais membros e as instituições multilaterais, nem se vê o brasileiro, talvez atrás do presidente do Irã, que é bem mais alto. Em outra imagem muito veiculada, Putin, Modi e Xi surgem rindo, só os três e seus intérpretes.
Lula não teria viajado por causa da proximidade do primeiro turno. Sua presença "seria utilizada pela campanha de Flávio Bolsonaro", afirma o analista de relações internacionais Oliver Stuenkel, professor de FGV e autor de "O mundo pós-ocidental" e "Brics e o futuro da ordem global".
Pelo contrário, afirma o analista chinês, "diante das ameaças de interferência do governo Trump nos assuntos internos do Brasil, a resposta tem sido fortalecer a cooperação no âmbito dos Brics, a fim de reduzir a sua dependência dos Estados Unidos".
"Nesta fase", prossegue Gao, "a política do Brasil é de não-alinhamento ativo, recusando-se a escolher lado sob pressão, o que é consistente com a posição da China: são os EUA que exigem que os outros escolham um lado".
Na fase anterior, até a virada do ano, o terceiro mandato de Lula priorizou o acordo comercial Mercosul-União Europeia, não os Brics. Mas o acordo, mesmo após a série de concessões, foi frustrado por medidas protecionistas europeias nos últimos meses, contra carne, aço e outros produtos.
Para Stuenkel, que é doutor em ciência política pela Universidade de Duisburg-Essen, na Alemanha, esses recuos eram previsíveis, pelo impacto do acordo na Europa. E ele ainda vê "potencial de ampliar a cooperação".
Mais do que o protecionismo europeu, foram as intervenções eleitorais dos EUA no Brasil que acordaram Lula para a importância dos parceiros Brics. Ele não viajou para Nova Déli, mas telefonou longamente para Xi e Putin atrás de apoio.
Xi voltou ao tema no final da cúpula, neste domingo, falando em desenvolver uma zona de IA aberta para os Brics, entre outras iniciativas de industrialização para o Sul Global, agora que a China vai assumir o comando temporário do bloco.
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