O que há por trás do mercado bilionário de abates de jumentos na Bahia
Ela é considerada rica em proteínas e baixa em teor de gordura.
Há décadas, já se falava sobre o quanto a carne de jumento nordestino era magra, fibrosa, cujo sabor era forte e marcante.
Da utilização do animal para transporte de cargas ao prato, há séculos, era o jumento que fortalecia a economia nordestina.Atualmente, a carne do jumento encontra um bilionário mercado de oportunidades na China e em regiões do Mediterrâneo europeu.
A iguaria é tão cobiçada que já chegou a virar carne de hambúrguer e até recheio para empanadas.Não somente a carne, mas outras partes do corpo do animal entram na mira deste mercado comercial.
A pele do jumento, por exemplo, é altamente demandada na China, principalmente para a produção do ejiao - uma gelatina na medicina tradicional chinesa, feita com o colágeno da pele e que atrai pelas supostas propriedades rejuvenescedoras.Apesar de encontrar um mercado robusto, não somente a exportação da carne, mas também a pele do animal, esbarram em uma série de cenários preocupantes: a inviabilidade econômica para o setor agropecuário, o massivo abate do jumento e, consequentemente, um iminente risco de extinção da espécie.A demanda pelo colágeno produzido a partir da pele do jumento já provocou o risco de desaparecimento desses animais na África, continente de onde são originários, e ameaça a espécie no Brasil, onde, segundo estudos, houve uma redução expressiva da população de jumentos nas últimas décadas.Embora o Brasil já esteja enfrentando esse cenário, há quase um ano, o abate desses animais é considerado legal para indústria frigorífica certificada com SIF, de acordo com decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, do dia 5 de novembro de 2025.
A medida aprofundou a divergência entre o setor e o meio científico que considerou o mercado insuficiente para atender ao mercado.Por que o jumento se tornou tão cobiçado?Antes do avanço das tecnologias automobilísticas, eram os equídeos e os asininos os principais meios de transportes de cargas e pessoas, principalmente no nordeste brasileiro.
Símbolo de resistência e cultura em vários países, os primeiros jumentos chegaram ao país em 1534, na capitania de São Vicente, trazidos dos arquipélagos da Madeira e das Canárias pelo militar português Martim Afonso de Souza.De acordo com artigo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), 15 anos depois, o primeiro governador-geral do Brasil, Tomé de Sousa, levou para a Bahia jumentos de Cabo Verde.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em atarde.com.br — o conteúdo pertence a A Tarde.