Controle a pressão para manter distância do Alzheimer, conclui maior estudo já feito sobre o tema
Um estudo que acaba de ser apresentado no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, em Munique, na Alemanha, indica que o prêmio por manter a pressão arterial sob controle pode ser bem maior do que se imaginava: nada menos que proteger a memória e a cognição .
Os dados vêm do Programa Chinês de Controle da Hipertensão Rural, conduzido pela Universidade Médica da China, em Shenyang.
A pesquisa foi apresentada em uma sessão de destaque do evento europeu e mostrou que baixar a pressão de forma intensiva reduziu em 15% o risco de demência ao longo de sete anos, na comparação com o tratamento padrão.
Uma batalha silenciosa e uma tática de guerrilha A urgência do achado tem números para justificar.
Estima-se que o total de pessoas com demência no mundo salte de 57 milhões em 2019 para 153 milhões em 2050 — quase o triplo em três décadas.
Como ainda não existe cura, prevenir tornou-se a única arma disponível, e a hipertensão é um dos poucos fatores de risco que podem ser modificados.
O desenho do estudo ajuda a explicar a força dos resultados.
Pesquisadores sortearam 326 vilarejos rurais chineses para receber, de forma aleatória, ou o acompanhamento padrão, ou um programa intensivo de controle de pressão tocado por agentes comunitários de saúde sem formação médica, mas treinados e supervisionados por médicos.
Continua após a publicidade Ao todo, 33.995 adultos com 40 anos ou mais participaram, com idade média de 63 anos e maioria de mulheres (61%).
Nesse grupo, os agentes de saúde ajustavam a medicação seguindo um protocolo simples, em etapas, até que a pressão do paciente ficasse abaixo de 130 por 80 mmHg — patamar mais rigoroso que o usado na prática clínica convencional na maior parte do mundo.
O grupo de comparação seguiu apenas os cuidados de rotina.
Continua após a publicidade A diferença de resultado entre os dois grupos foi expressiva: quem passou pelo programa intensivo teve uma queda média de quase 18 mmHg na pressão sistólica (a “máxima”) ao longo dos sete anos, contra uma queda de pouco mais de 2 mmHg no grupo de cuidado padrão.
Foi nesse contexto que a diferença na taxa de demência apareceu.
Ao final do estudo, 8,85% dos participantes do grupo intensivo haviam desenvolvido algum tipo de demência, contra 10,55% no grupo de cuidado padrão — uma diferença absoluta de 1,7 ponto percentual, que corresponde à redução relativa de 15% mencionada nos resultados.
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