Eleições regionais na Alemanha são decisivas para o futuro do chanceler Friedrich Merz
Cerca de quatro milhões de alemães vão às urnas neste domingo (20) em duas eleições regionais decisivas: em Berlim, a capital do país, e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste da Alemanha. O avanço da extrema direita e da esquerda radical pode afetar o chanceler Friedrich Merz, cuja estabilidade no cargo está fragilizada.
Realizadas pouco mais de um ano e meio após as eleições gerais que levaram Merz à chefia do governo alemão, à frente de uma coalizão com os sociais-democratas, as votações deste domingo podem encurtar a carreira política de um líder que esperou anos para chegar ao poder.
Há duas semanas, um terremoto político abalou a Alemanha. No estado da Saxônia-Anhalt, no leste do país, o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) alcançou um resultado histórico, com quase 44% dos votos. Faltam apenas três cadeiras para que o movimento liderado por Ulrich Siegmund obtenha a maioria no Parlamento regional.
O partido União Democrata Cristã (CDU), do chanceler, sofreu uma derrota histórica e perdeu 20% nas urnas. No dia seguinte, Merz disse estar “chocado”. O chanceler, cuja impopularidade atingiu níveis sem precedentes desde a guerra, com 88% dos alemães insatisfeitos com sua gestão, enfrenta críticas cada vez mais abertas. Dentro do próprio partido, alguns questionam seu futuro político e se perguntam se outro chefe de governo não conseguiria recuperar ao menos parte da popularidade perdida.
As eleições deste fim de semana também tendem a aumentar a pressão sobre Merz. Em Mecklemburgo, região do leste do país banhada pelo Mar Báltico, a disputa pela liderança concentra-se entre a governadora social-democrata Manuela Schwesig e o candidato da AfD, Leif-Erik Holm . A CDU, por sua vez, aparece relegada a um papel secundário, com apenas 7% das intenções de voto, seu pior resultado em uma eleição regional desde o pós-guerra.
Para piorar o cenário, não se pode descartar a possibilidade de que eleitores democratas-cristãos optem pelo voto estratégico e migrem para partidos mais bem posicionados na disputa. Nesse caso, a legenda do chanceler poderia ficar abaixo dos 5% necessários para obter representação no Parlamento regional.
Em Berlim, a CDU havia reconquistado a prefeitura há três anos. Desde então, o partido governa a capital alemã com o apoio dos social-democratas, em uma coalizão semelhante à de Friedrich Merz em âmbito federal. No entanto, a legenda sofreu com a saída antecipada do então prefeito, criticado pela gestão de uma crise no fornecimento de energia no início do ano e denúncias de mentiras sobre sua agenda.
Coube ao senador das Finanças de Berlim, Stefan Evers, assumir a candidatura da CDU e tentar reverter a perda de credibilidade do partido. A sigla registra uma queda significativa nas pesquisas, em relação à eleição de 2023, mas, com 20% das intenções de voto, trava uma disputa pela liderança com o partido de esquerda Die Linke. Mesmo que a CDU saia vitoriosa, seria muito difícil manter a prefeitura, uma vez que os partidos de esquerda tendem a privilegiar alianças entre si.
O Die Linke aposta em sua cabeça de chapa, Elif Eralp, e em um “efeito Mamdani”.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.rfi.fr — o conteúdo pertence a RFI Brasil.