Corinthians toma decisão certa com Memphis e futebol precisa cair na real
O Corinthians tomou uma decisão certa e que se revelou mais difícil do que deveria ao encerrar as negociações pela renovação contratual com Memphis Depay. A realidade do clube é absolutamente incompatível com fechar um contrato de R$ 3 milhões mensais com um jogador de 32 anos, um gol e uma assistência na temporada.
O alvinegro luta para se reestruturar em meio a uma crise financeira e institucional enorme. Hoje, segue um Regime Centralizado de Execuções - uma fila de credores com um plano estruturado para pagamento de R$ 190 milhões. A dívida total do clube é bem maior, em torno de R$ 2,7 bilhões.
Enquanto luta para equacionar a fila e pagar uma pequena parte da sua dúvida, o Corinthians é frequentemente alvo de novas execuções. A título de exemplo, pouco antes da Copa do Mundo apresentou uma nova cobrança de R$ 3,7 milhões, originada em um empréstimo feito ao clube.
A dívida de Garcia provavelmente ficará fora do RCE, e seguirá para cobrança judicial - a Laspro, administradora do plano de pagamento, peticionou a Justiça afirmando que é uma cobrança posterior à formação do plano e deve seguir separadamente.
Há outros credores do Corinthians que tentam, na Justiça, fazer com que suas cobranças corram fora do Regime de Execuções. Na prática, cobranças fora do RCE têm a possibilidade de penhorar e congelar recursos do alvinegro - talvez alguns do que poderiam ser prometidos a Memphis.
Com jogadores de grande repercussão, sempre surge a ideia de viabilizar financeiramente contratos monumentais por meio do apoio de parceiros e patrocinadores. O futebol brasileiro coleciona exemplos de fracassos dessa narrativa.
No plano dos sonhos, São Paulo ia bancar Daniel Alves com parcerias. Na realidade, está pagando ele até hoje - deixou o clube em setembro de 2021.
As parcerias em conjunto com Neymar mudariam o Santos de patamar. Na prática, o clube deve mais de R$ 80 milhões ao pai do atacante, e frequentemente atrasa pagamentos ao resto do elenco.
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