Paulo Paim (PT-RS) cobra acordo para votar fim da 6×1: ‘Não pode ficar medindo interesse eleitoral’
O Senado deve acelerar, na próxima semana, a análise das principais pautas de interesse do governo Luiz Inácio Lula da Silva, com destaque para a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1.
Em entrevista ao programa Ponto de Vista , de VEJA, o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou esperar que o relator da proposta, senador Omar Aziz (PSD-AM), apresente o relatório ainda nesta semana para permitir a votação durante o próximo esforço concentrado.
Segundo Paim, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Otto Alencar (PSD-BA), tem posição semelhante sobre a tramitação.
O senador defendeu que os parlamentares tenham tempo para analisar o parecer antes da votação e afirmou acreditar na construção de um acordo entre as diferentes forças políticas.
Paim também destacou as conversas entre Lula, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos) como um movimento positivo para o entendimento entre os Poderes.
O senador afirmou que pesquisas apontam cerca de 80% de apoio da população ao fim da escala 6×1 e à adoção do modelo 5×2.
Questionado sobre o tempo de tramitação da PEC, em andamento desde 2019, e sobre o risco de o debate ser influenciado pelo período eleitoral, Paim afirmou acompanhar a discussão e disse não esperar mudanças no texto pelo relator.
Segundo o senador, Omar Aziz é respeitado por parlamentares de diferentes correntes políticas e considera que a proposta está madura para ser votada.
Continua após a publicidade Paim também contestou a ideia de que tenha faltado debate sobre a redução da jornada.
Ele afirmou que acompanha a discussão no Senado desde 2015 e participou de reuniões na CCJ, na Comissão de Direitos Humanos, na Comissão de Assuntos Sociais e no plenário.
O senador citou ainda uma sessão temática realizada no Senado, com participação de empresários, e disse ter saído do encontro convencido de que o setor empresarial não era contrário à proposta, embora houvesse divergências sobre a regra de transição.
Na avaliação de Paim, a redução da jornada para 40 horas semanais pode aumentar a produtividade e o número de empregos, além de reduzir acidentes e doenças relacionadas ao trabalho.
O senador relacionou a discussão às transformações provocadas pela automação, pela robótica e pela inteligência artificial.
Para ele, o avanço tecnológico deve ocorrer, mas precisa beneficiar a sociedade.
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