EUA mantêm veto de vistos a palestinos e barram Abbas na Assembleia da ONU
Os EUA mantiveram a negativa de vistos a autoridades palestinas e, com isso, impedem Mahmoud Abbas de participar presencialmente da Assembleia Geral da ONU em Nova York, segundo o The New York Times.
Com a decisão, Abbas, líder da OLP e presidente da Autoridade Palestina, fica fora do encontro anual da ONU. A parte principal da Assembleia começa na próxima semana, e esta é a segunda vez seguida que o governo Trump impede a presença dele no evento.
O Departamento de Estado disse que prorrogou a medida por considerar que os dois grupos não fizeram o suficiente para mudar suas práticas. Em nota, o órgão afirmou que as organizações estariam "glorificando o terrorismo" e informou ter comunicado ao Congresso a extensão do veto.
A Autoridade Palestina criticou a decisão e disse que não há justificativa para a restrição. O Ministério das Relações Exteriores da Autoridade Palestina classificou a medida como "injustificada", em comunicado divulgado hoje.
Assembleia Geral pode votar hoje uma alternativa para que Abbas se manifeste à distância. Segundo duas autoridades a par do planejamento, ouvidas pelo jornal sob condição de anonimato por se tratar de detalhes sensíveis, a ONU analisa uma resolução para permitir um pronunciamento remoto.
Rascunho do texto obtido pelo NYT lamenta a negativa de vistos pelos EUA pelo segundo ano consecutivo. O documento prevê que "o Estado da Palestina poderá enviar uma declaração pré-gravada de seu presidente, que será exibida no plenário da Assembleia Geral".
Em agosto de 2025, semanas antes da reunião da ONU naquele ano, o Departamento de Estado já havia anunciado que não emitiria vistos para autoridades palestinas. Na ocasião, o órgão disse que a decisão do secretário de Estado, Marco Rubio, buscava responsabilizar os dirigentes por não cumprirem compromissos e por, na avaliação do governo, minarem as chances de paz.
O governo Trump também citou exigências para que a OLP e a Autoridade Palestina "repudiem consistentemente o terrorismo". Entre os pontos mencionados estavam a condenação do ataque liderado pelo Hamas em Israel em 7 de outubro de 2023 e o fim do que chamou de incitação ao terrorismo na educação.
Outro argumento foi o contato de autoridades palestinas com o TPI (Tribunal Penal Internacional) e a tentativa de acionar cortes internacionais. O governo Trump se opõe a iniciativas junto ao TPI e à Corte Internacional de Justiça e, naquele período, também suspendeu a emissão de quase todos os tipos de vistos de visitante para portadores de passaporte palestino.
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