Aumento de Lula ao Bolsa Família impacta quase 40% da população em N e NE
O maior percentual de beneficiários está justamente no Nordeste, que historicamente é o principal reduto eleitoral do PT e onde o partido venceu todas as disputas presidenciais desde 2002. A região é seguida pelo Norte na proporção de atendidos.
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O programa pagou, em agosto, 19,3 milhões de famílias em todo o Brasil, com valor médio de benefício de R$ 678,35. Em número de integrantes, o Bolsa Família atingiu 49,7 milhões de pessoas, sendo 22,1 milhões no Nordeste e 14 milhões no Sudeste.
Com a medida de Lula, o valor-base pago por integrante da família sobe de R$ 142 para R$ 164 —o que elevará o valor final do depósito. Segundo o Ministério do Planejamento, o benefício médio subirá para R$ 777.
Entre as unidades da federação, o Maranhão é a que tem a maior proporção de beneficiários: 45,3% dos habitantes dependem da transferência de renda. Já o estado menos impactado é Santa Catarina, onde apenas 7,2% da população pertence a famílias contempladas.
Para o professor Adriano Oliveira, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e da consultoria Cenário de Inteligência, a medida é "importantíssima" sob a ótica eleitoral.
"A literatura da ciência política deixa claro que o voto econômico existe. E aqueles eleitores que queriam fugir do lulismo em razão da alta do custo de vida, da inflação ou da percepção de insegurança pública podem decidir permanecer com o presidente em razão do Bolsa Família e da melhoria de vida", avalia o pesquisador.
Outro perfil que pode ser atingido é o chamado eleitor independente. "Se o eleitor percebe que sua renda melhorou, que a vida está melhorando em virtude desse aumento, a medida pode conquistar aqueles cansados da polarização", acrescenta.
O professor aponta não ver, ao menos a princípio, reflexos negativos na medida —que recebeu críticas de setores da oposição e de parte da população devido à proximidade com o período eleitoral.
"Aqueles eleitores que cobram equilíbrio de gastos são bolsonaristas ou pessoas de alta renda. Onde está a base de Lula? Nas classes D e E. É lá que ele vai conquistar votos com essa medida", pontua o pesquisador, especialista em estudos sobre o lulismo.
A influência eleitoral pode ser explicada pelo peso econômico do reajuste. O professor Cícero Péricles, da Ufal (Universidade Federal de Alagoas), lembra que o aumento representa a recomposição da inflação acumulada desde o último reajuste, concedido em março de 2023 —quando o valor mínimo subiu de R$ 400 para R$ 600 por determinação do então presidente, Jair Bolsonaro (PL).
"Esse impacto é particularmente mais relevante nas economias de menor renda", explica o economista.
"Os recursos do Bolsa Família têm forte impacto sobre o consumo porque uma parcela muito elevada do benefício é destinada às despesas correntes das famílias, especialmente alimentação e outras necessidades básicas.
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