Trump precisará da China para pressionar o Irã, mas apoio de Xi é incerto
Quando o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, anunciou a “Operação Pária Econômica” nesta semana, ameaçando impor novas sanções prejudiciais a países que se recusarem a deixar de fazer negócios com o Irã, ele não citou o único país que poderia decidir o sucesso ou o fracasso da operação: a China.
A segunda maior economia do mundo há muito tempo é uma importante linha de sustentação econômica para Teerã, comprando a grande maioria das exportações de petróleo do país — avaliadas em dezenas de bilhões de dólares no ano passado — além de outros produtos comercializados.
Conseguir o apoio de Pequim para o mais recente esforço da Casa Branca para subjugar uma liderança iraniana que permanece desafiadora após quase seis meses de guerra, no entanto, será uma tarefa extremamente difícil.
Leia Mais Suspensão de comércio dos Emirados com Irã não foi por acaso, diz Bessent Entenda como a nova ameaça dos EUA pode atingir parceiros do Irã Timidez do Dia D econômico pode ter o efeito oposto ao desejado pelos EUA Pequim rejeita categoricamente o que chama de sanções americanas “unilaterais” e há muito tempo defende seu direito de manter relações comerciais regulares com parceiros como Irã e Rússia.
O governo chinês também avalia que Washington hesitaria em provocar um confronto econômico mais amplo que prejudicaria os dois países, especialmente às vésperas das eleições de meio de mandato nos EUA.
Na terça-feira (25), após a entrevista coletiva de Bessent, o Ministério das Relações Exteriores da China prometeu “tomar todas as medidas necessárias” para proteger seus “próprios direitos e interesses legítimos” diante das ameaças de sanções dos EUA.
“Guerra econômica e pressão máxima não ajudarão a resolver a questão; elas apenas intensificarão ainda mais as tensões e os conflitos, criarão riscos de transbordamento e desorganizarão a ordem econômica e financeira global”, afirmou o porta-voz do ministério, Lin Jian.
A ameaça de Bessent também ocorre antes de uma aguardada visita do líder chinês Xi Jinping aos EUA no mês que vem, quando os dois lados poderão avançar na extensão de uma importante trégua comercial que deve expirar no fim do ano.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou anteriormente que não pediu a Xi “nenhum favor” em relação ao Irã durante uma reunião entre os dois em maio — uma declaração que, se correta, provavelmente parecerá a Pequim um sinal de desespero americano para pôr fim ao conflito.
Agora, os dois países terão de fazer um cálculo cuidadoso sobre como lidar com o que Bessent disse que será um período de “diplomacia silenciosa” — ou seja, a emissão privada de ultimatos aos parceiros econômicos do Irã, que o secretário do Tesouro não identificou especificamente durante sua entrevista coletiva.
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