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Alerta de mal súbito: perigos invisíveis das corridas de rua para o coração

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Alerta de mal súbito: perigos invisíveis das corridas de rua para o coração

Brasil viu, nos últimos anos, um aumento de corridas de rua e, em uma relação de causa e efeito, reflexos no número de praticantes da modalidade país afora. O crescimento deu holofote a diversas histórias de atletas amadores, mas também expôs episódios de quando o esforço para alcançar linha de chegada se tornou fatal, e males súbitos fizeram as estatísticas ganharem nomes e rostos.

O exemplo mais recente foi de Júlio Barreto, de 50 anos, que morreu após participar da SP City Marathon, realizada no último dia 26, em São Paulo. Acostumado a desafios desta natureza, ele esteve na meia-maratona e teve uma parada cardíaca pouco após completar o trajeto.

Diretora médica da Federação Paulista de Atletismo (FPA), Ana Sierra é especialista em atendimentos em provas de rua. Cardiologista do esporte e profissional de Educação Física, ela aponta quais são os casos mais comuns e alerta: as meia-maratonas podem ser mais perigosas que as maratonas.

"Sou responsável por quase 120 provas por ano. Atualmente, vemos mais casos graves, mas porque as provas cresceram muito, então, há mais gente correndo. A World Athletics [Federação Internacional de Atletismo] aponta que os atendimentos médicos em provas assim giram em torno de 1% a 3% dos inscritos, e estamos dentro dessa estatística. Entre os casos de maior gravidade os mais comuns acabam sendo de arritmia, isquemia, hiponatremia e hipertermia", conta.

As meia-maratonas têm apresentado casos mais graves do que, propriamente, as maratonas. E isso, pelo que temos visto também no consultório, tem a ver com o cuidado prévio. Quem vai fazer uma maratona tende a se preparar um pouco mais também quanto aos exames. Costumo brincar que a maratona ainda é uma senhora de respeito. Muita gente que corre 10 km, 15 km, imagina que pode fazer a meia, e se arriscam um pouco mais. Ana Sierra

Júlio passou a disputar provas de rua e de corridas em trilhas mais regularmente a partir de 2021. Ele integrava alguns grupos de corrida e havia sido ainda atleta amador de ciclismo e mountain bike.

É importante esclarecer que não é possível determinar a causa de um caso específico sem investigação médica. De maneira geral, apesar de a meia-maratona apresentar menor tempo de exposição ao esforço quando comparada à maratona, ela ainda impõe uma carga fisiológica significativa ao organismo.

Durante a prova, podem ocorrer situações desencadeadas pelo esforço intenso. Além disso, fatores como infecções recentes, recuperação inadequada, excesso de treinamento ou condições climáticas desfavoráveis também podem aumentar o risco de complicações. Assim, mesmo atletas treinados e experientes não estão completamente isentos de eventos inesperados. O treinamento adequado reduz substancialmente os riscos, mas não é capaz de eliminá-los por completo. Karen Fernandes, fisioterapeuta esportiva especialista pela Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física (Sonafe Brasil)

Antes deste, outros casos já tinham tido repercussão. Em setembro de 2023, Alexandre Cabreira morreu devido a um infarto ao participar de uma maratona em Criciúma. Ele tinha 50 anos.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Esporte.

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