Câncer de pele: por que consultas devem continuar mesmo após a retirada do tumor?
Especialista detalha risco de novas lesões, sinais de alerta e frequência das avaliações para quem concluiu o tratamento
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que o Brasil registre cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, em um cenário no qual a doença se aproxima das cardiovasculares como principal causa de morte no país. Desse total, os tumores de pele aparecem como os mais frequentes.
Para o dermatologista Carlos Alberto Bruno, a supervisão do paciente deve permanecer mesmo após diagnóstico de cura ou retirada do tumor. “O tumor é retirado, o exame confirma, mas os fatores que favorecem o câncer continuam ali: os anos de exposição solar e a predisposição genética. A pele inteira permanece vulnerável. O risco de abandonar o acompanhamento é perder a chance de encontrar o próximo câncer ainda pequeno”, explica.
O especialista destaca que, se o paciente foi diagnosticado com câncer, os cuidados preventivos devem ser contínuos. Isso porque a exposição à radiação ultravioleta permanece como fator de risco mesmo quando o tratamento elimina o tumor inicial. “Estudos mostram que um em cada três pacientes com histórico de carcinoma de pele pode desenvolver uma nova lesão nos cinco anos seguintes. O primeiro tumor funciona como um aviso de que outras alterações podem surgir”, afirma.
Segundo o dermatologista, o tratamento precoce e o monitoramento das lesões são essenciais para resultados rápidos e efetivos contra o câncer . A supervisão de um especialista, então, é importante para identificar sinais que podem passar despercebidos pelos pacientes.
“Quanto mais cedo encontramos uma lesão, mais simples é o tratamento e mais fácil é a remoção. Quem examina a pele com o dermatoscópio enxerga o que o paciente não está vendo, inclusive em áreas de difícil acesso. O dermatologista examina a cicatriz e também áreas que o paciente nem sempre consegue observar”, observa.
Carlos Alberto Bruno orienta que a frequência das consultas, após o diagnóstico de cura, depende do tipo de câncer tratado. Ele pontua que o paciente deve seguir um calendário de retorno definido pelo dermatologista, inclusive quando não existirem sintomas aparentes.
“No carcinoma basocelular, as consultas costumam ocorrer a cada seis a 12 meses. No espinocelular, entre três e seis meses, em geral durante cinco anos, e depois ao menos uma vez por ano. No melanoma, o intervalo depende do estágio em que o tumor estava quando foi removido”, esclarece.
O dermatologista ressalta que o risco de retorno do câncer varia conforme o tratamento realizado. Em carcinomas basocelulares, estudos apresentam diferenças nas taxas de recidiva entre a cirurgia convencional e a técnica micrográfica de Mohs. “Na cirurgia convencional, a recidiva do câncer pode ficar em torno de 10% em cinco anos. Com a cirurgia micrográfica de Mohs , em torno de 1%. Mesmo quando a chance de o tumor voltar é pequena, ela não é zero”, pontua.
O tempo decorrido desde o tratamento também não elimina a necessidade de vigilância.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.