Trevisan: Netanyahu repete direita trumpista ao contestar eleição em Israel
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu repete uma tática da "direita trumpista" ao falar em fraude e contestar o resultado eleitoral em Israel, avaliou o professor de Relações Internacionais Leonardo Trevisan, da ESPM, no UOL News , do Canal UOL.
O comentário veio após a polícia israelense negar as alegações do partido Likud, de Netanyahu, de que a eleição teria sido "roubada" por partidos árabes , afirmando não haver evidências que sustentem a acusação.
O discurso de fraude nas eleições é um discurso essencialmente de uma direita, como dizem meus alunos, é da direita trumpista. Atrás disso aí, reparem, reapareceu, ressuscitou Steve Bannon. Ele é o autor dessa lógica de você dizer o tempo inteiro: se você não ganhou é fraude. Isso está se espalhando. Está se espalhando onde? Na única nação no mundo importante, muito relevante, que segue Donald Trump, que é Netanyahu. Leonardo Trevisan
Trevisan disse que, em Israel, a contestação pública do premiê por instituições é possível por se tratar de uma democracia.
Israel, a gente precisa lembrar, antes de mais nada, que Israel é talvez a última nação democrática no Oriente Médio. Nenhuma outra nação ali, daquelas que circundam todas, o chefe de polícia ousaria contestar o chefe de governo. Isso não existe. Em Israel existe. Leonardo Trevisan
Na análise do professor, a disputa no país não se resume ao rumo das guerras e da política territorial expansionista. Ele avaliou que uma eventual troca no comando pode mudar a forma como Israel é visto no exterior, com impacto sobre a economia e o setor de tecnologia.
O que vai mudar em Israel, se Netanyahu cair, é uma lógica de pensar em como o mundo nos vê. Esta é a poderosa nação startup de Israel. Essa gente está achando que a guerra está atrapalhando demais os negócios deles. Leonardo Trevisan
Trevisan também afirmou que a fala do chefe da polícia, ao negar fraude eleitoral, funciona como um recado institucional a Netanyahu, que tem um estilo de governar que "contraria a história de Israel".
O estilo Netanyahu de governar está, de certa forma, contrariando a história de Israel. É isso que o chefe de polícia diz. Peraí, aqui a gente faz eleição direito. Leonardo Trevisan
Netanyahu lidera a eleição, mas seu partido não deve ter maioria absoluta no Parlamento . Nesse cenário, a oposição articula uma aliança com os partidos árabes para tentar formar um novo governo.
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