Fim da escala 6×1 e os discursos apocalípticos do fim da escravidão e da concessão de férias
Senado aprovou a PEC do fim da escola 6×1 na noite dessa quarta-feira (Foto: Divulgação) Mudam-se os tempos, mas os discursos continuam os mesmos quando se trata de garantir direitos para as pessoas.
Em 13 de maio de 1888, uma lei publicada com pouco mais de duas linhas, chamada Lei Áurea, decretou o fim legal da escravidão no Brasil.
O discurso de quem se opunha à libertação dos escravos era de que o abolicionismo iria quebrar o Império e que a lei iria provocar revoltas e rebeliões incontroláveis.
Os críticos alegavam que o mercado escravocrata não poderia acabar, pois era eixo estruturante da economia, da hierarquia social e das formas de poder no Brasil desde o período colonial e que, portanto, a libertação dos negros iria arruinar essa coluna de estruturação e articulação da produção para o mercado externo, organização do trabalho e mecanismos de distinção social.
Há 101 anos, os empresários se colocaram contra a concessão de férias aos trabalhadores argumentando sob críticas contundentes que esse direito iria quebrar o Brasil.
No entanto, depois de 14 meses de debates, foi assinada em 24 de dezembro de 1925 a lei que reconhecia ao trabalhador brasileiro o descanso anual remunerado, inicialmente por 15 dias e restrito aos trabalhadores urbanos do comércio, indústria e bancos.
A concessão desse direito trabalhista enfrentou uma barulhenta resistência, em que empresários e oposição alegavam que o descanso dos trabalhadores poderia prejudicar a produtividade e a eficiência das empresas, resultando em prejuízos econômicos.
Hoje, a lei se mostrou um passo importante na proteção dos direitos dos trabalhadores e na construção de um sistema trabalhista mais robusto no Brasil que temos hoje.
Então, passaram-se 138 anos do fim da escravidão e da legalização das férias para o trabalhador brasileiro, mas o discurso é o mesmo quando se trata de conceder direitos trabalhistas.
O fim da escala 6 x 1, aprovado pelo Senado neste 14 de outubro de 2026, ocorreu sobre intensas polêmicas e projeções catastróficas para a economia do país, sob alegação de que a mudança irá acelerar o processo de falência do país, principalmente de pequenas e médias empresas, devido a concessão de dois dias semanais de folga para o trabalhador brasileiro.
Como em tempos de redes sociais o trabalhador ganhou voz na internet, a maioria dos políticos que se posicionavam contra os dois dias de folga para os trabalhadores acabaram votando pelo fim da escala 6×1.
Porém, os eleitores precisam ficar bem atentos, pois existe uma armadilha bem arquitetada.
Como os políticos que se posicionam contra a escala 6×1 se tornaram a maioria avassaladora no Congresso, essa lei pode ser facilmente derrubada em um futuro muito próximo.
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