O inimigo é outro: Renan volta em guerra com Cury e ?ajuda? de Wagner Moura
Vinte e quatro horas em uma campanha é muito tempo, diria um certo treinador português ao ver o perrengue do candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, depois de ter os repasses, as redes e a participação em debates suspensos por ordem do Tribunal Superior Eleitoral. A decisão foi assinada no domingo (30) pelo ministro Dias Toffoli, que viu um "erro proposital" do postulante ao omitir perfis da campanha oficial no registro da candidatura ao TSE. A manobra abriu brecha para que, durante dez dias, as páginas seguissem sujeitas a recomendações de algoritmos, o que é vedado pela lei. Até então o maior feito dos algoritmos pró-Renan era ter tirado do esquecimento o personagem João Canabrava. Foi o próprio Tom Cavalcante quem notou a semelhança entre a criatura e o líder do MBL . Renan, antes hiperativo e verborrágico, saiu do gancho para entrar pra História em uma vibe mais ou menos assim:
Quem não leu os jornais do dia poderia imaginar que o candidato tinha passado dessa para melhor. Ele tinha apenas transformado a luta em luto. O vídeo de despedida, de apenas 34 segundos, era uma aula de apropriação cultural. Com imagens de Daniel Vorcaro, Alexandre de Moraes e o antípoda Dias Toffoli pintados em preto e branco e rostinho de vilões, Renan pegou emprestado uma fala de Wagner Moura na cena final de "Tropa de Elite 2" para dizer que "o sistema é foda" e muito maior do que pensava. "Eu fui lá pra falar a verdade. Eu dizia o que tava sentindo. Contei tudo o que sabia. Dei porrada em muita gente. Mesmo assim o sistema continuava de pé", diz Capitão Nascimento, na colagem que termina em um incêndio, um candidato martirizado, amordaçado e triste por saber que até as coisas mudarem "ainda ia morrer muita gente". Absolute Cinema. Quando Toffoli recuou da medida, e Renan pode voltar a postar nas redes, uma autoprofecia se realizou. O inimigo de fato era outro. Uma série de pesquisas lançadas no dia da suspensão mostrava Augusto Cury (Avante) à frente de todos os candidatos à terceira via da disputa. Havia também um incêndio, mas no Supremo Tribunal Federal. Na quarta colocação, com apenas 3% das intenções de votos na Quaest, o candidato fez o que mais sabe e partiu pra cima. Não de Lula (PT) nem de Flávio Bolsonaro (PL), os antigos alvos preferenciais, e sim do autor de "O Vendedor de Sonhos" e "Ansiedade: Como Enfrentar o Mal do Século". Renan passou a compartilhar reportagens sobre o estranho embarque de influenciadores investigados no caso Banco Master na candidatura do inimigo. "Cury é sócio do Fictor, que tentou 'comprar' o Master. Cury foi impulsionado pelos influenciadores do Master, sob a batuta do Thiago Miranda (jornalista ligado a Daniel Vorcaro). Cury é um saco vazio do Avante que beneficia uma eleição despolitizada", escreveu o candidato acusado de driblar a Justiça Eleitoral e se beneficiar do jogo (sistema?) nas redes. Era a primeira entrada de sola em uma disputa que promete muita emoção na parte de baixo da tabela. Se Cury seguir à frente do Z4, e o TSE permitir, logo mais Renan estará chamando live para expor a bibliografia do concorrente. Numa campanha de golpes baixos, nada seria impossível.
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