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Vorcaro diz a Mendonça que negócio com BRB seria benéfico e nega fraude

UOL Notícias ·
Vorcaro diz a Mendonça que negócio com BRB seria benéfico e nega fraude

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou ao gabinete do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que a negociação entre o Banco Master e o banco estatal BRB (Banco de Brasília) seria benéfica para o sistema financeiro.

A declaração foi interpretada por integrantes da PGR (Procuradoria-Geral da República) como um estado de negação do ex-banqueiro. As investigações mostram fraudes em carteiras de crédito consignado em uma negociação de R$ 12 bilhões que, ao fim, deixaram um rombo de tamanho ainda desconhecido no BRB.

O depoimento de Vorcaro foi prestado na última quinta-feira (27) a pedido da defesa do ex-banqueiro. Ele relatou supostas ameaças e intimidações de integrantes da Polícia Federal contra sua delação premiada. O jornal O Estado de S. Paulo revelou detalhes da oitiva, e o UOL teve acesso à íntegra do depoimento.

Vorcaro afirma que foi perseguido por representantes de grandes bancos após a ascensão do Banco Master. Ele atribui à pressão desses banqueiros —sem dizer seus nomes— mudanças regulatórias ocorridas na virada de 2022 para 2023 que, segundo ele, prejudicaram a saúde financeira do Master.

De acordo com Vorcaro, foi no meio desses conflitos com grandes banqueiros e das mudanças regulatórias que ele decidiu fazer uma série de mudanças. "Uma delas foi a própria fusão e o negócio com o BRB, que eu espero muito ter a oportunidade de falar o que efetivamente aconteceu e o tanto que seria benéfico se houvesse sido feita a fusão e a integração dos dois bancos", disse.

A investigação da Polícia Federal revelou como o Banco Master repassou ativos podres de uma empresa recém-criada, chamada Tirreno, para o BRB. A empresa detinha uma carteira de créditos consignados falsos de associações de servidores da Bahia ligadas a Augusto Lima, ex-diretor do Master.

A empresa não conseguiu demonstrar, com a documentação enviada ao Banco Central, a origem dos recursos negociados com o BRB. Na prática, o Banco de Brasília pagou R$ 12 bilhões por uma carteira de créditos vazia. Após constatada a fraude, o Master tentou alterar as carteiras de crédito para manter o negócio de pé.

Vorcaro disse ao gabinete de Mendonça que quer "muito explicar isso, sobre o tema do BRB". Ele já prestou depoimento sobre as fraudes nas negociações entre os bancos em 30 de dezembro de 2025, quando o inquérito ainda estava sob relatoria do ministro Dias Toffoli. Na época, ele negou as irregularidades.

O ex-banqueiro também contou, sem dar muitos detalhes, sobre o negócio que fez com investidores estrangeiros em novembro de 2025 para vender o Banco Master em meio às pressões pela falta de liquidez e das investigações sobre as fraudes.

Segundo a versão de Vorcaro, sua prisão e a liquidação do Master foram resultado de seguidas pressões que ele vinha sofrendo.

"Eu vinha de um ataque maciço —e eu espero um dia poder revelar isso. E, de maneira heroica —não foi só eu—, a gente conseguiu viabilizar uma solução, na época, que era uma solução de trazer investidores muito fortes e representativos, que existem, que estão lá, ainda hoje, que podem confirmar o que estava sendo feito.

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