Justiça nega acesso de Fernando Cinelli a documentos da Apex Partners
A Justiça capixaba negou, inicialmente, o pedido de liminar feito por Fernando Cinelli para ter acesso a atas, contratos e e-mails sobre as operações que originaram a crise na Apex Partners : investimento na CVC, debêntures da Rhino e o fundo Carbyne.
O presidente afastado da empresa de investimentos entrou com um requerimento de tutela de urgência, na última quarta-feira (12), para obrigar a companhia e mais onze empresas do grupo a lhe entregarem os documentos, conforme noticiado pelo colunista Abdo Filho, de A Gazeta . Entretanto, no entendimento do juiz Marcos Assaf do Vale Depes, os argumentos utilizados pelo executivo, como o receio de adulteração das provas documentais durante seu afastamento da presidência da Apex, não se sustentam.
Em sua decisão, o juiz Marcos Assaf pondera que não existe razão ao fundamento da defesa de Cinelli sobre as questões de perecimento ou alteração da prova documental e eletrônica por parte da Apex e cita dois motivos:
Assaf também cita que parte dos documentos já está sendo apurada em outra ação, que trata da recuperação judicial. O processo agora continua e as empresas do Grupo Apex deverão ser intimadas para que se manifestem nas próximas semanas.
Na ocasião em que solicitaram a liminar, como destacou o colunista Abdo Filho, os advogados de Cinelli, que é sócio e fundador da Apex, deram mostras da linha que deve sustentar a defesa do empresário, que é acusado pelos próprios sócios de "gestão temerária e má-fé".
“A administração do Grupo Apex, na prática, sempre envolveu uma estrutura de decisão compartilhada que pode ser refletida nos comitês e grupos de trabalho(…), estrutura que se refletia, inclusive, nas operações a seguir referidas, hoje apontadas pela imprensa e pelas próprias Requeridas como ‘origem da crise’. A decisão foi, dessa forma, compartilhada e nunca centralizada em uma ou duas pessoas".
Fernando Cinelli é representado pelo escritório Dickstein Advogados e Vieira Rabelo Advogados. Ele foi afastado do comando da Apex, pelos demais sócios, há exatamente uma semana, em assembleia realizada em 5 de agosto. Ele e o antigo diretor financeiro, Eduardo Siqueira, saíram pelo que foi chamado de "inconsistências financeiras". Em pedido feito à Justiça para proteger o seu patrimônio enquanto uma auditoria externa é feita, a Apex apresentou um endividamento de R$ 985,6 milhões, valor que mais que dobrou de janeiro de 2025 para cá.
"Excluído da auditoria que estaria sendo realizada pelas Requeridas, conforme publicamente divulgado, o Requerente tem fundado receio de que a narrativa por elas construída unilateralmente se consolide como verdade incontestada – perante o mercado, os investidores e o Juízo da recuperação judicial – antes que lhe seja possível opor-lhe prova documental", pondera a defesa de Cinelli.
Procurada pela reportagem, a Apex enviou a seguinte nota: "A Apex Partners S/A vem agindo de forma transparente e rigorosa para superar este momento desafiador. A própria empresa abriu uma auditoria interna, constatou as inconsistências financeiras e realizou o imediato afastamento de Fernando Kulnig Cinelli do cargo na semana passada.
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