Ex-funcionário da OpenAI acusado de plantar dispositivo parece ter apoio saudita, dizem promotores dos EUA
WASHINGTON, 19 Out (Reuters) - Um ex-engenheiro da OpenAI acusado de instalar um dispositivo de gravação em uma sala de conferências executiva da empresa de IA parece ter recebido apoio considerável do governo saudita, disseram promotores dos Estados Unidos em um documento judicial.
Segundo o documento judicial divulgado no final de domingo, os procuradores federais alegam que o réu, Abdulrahman Alfozan, de 35 anos, mantinha comunicação frequente com um membro não identificado da família real saudita e que um oficial militar saudita pagou uma passagem aérea só de ida para que a esposa e o filho pequeno de Alfozan retornassem à Arábia Saudita após sua prisão.
Os promotores fizeram essas alegações ao pedirem a um juiz federal que mantivesse Alfozan sob custódia nos EUA enquanto aguarda o julgamento, argumentando que ele representa risco de fuga. Alfozan, cidadão saudita e residente permanente legal nos EUA, tem comparecimento marcado em um tribunal federal em San Francisco ainda nesta segunda-feira.
O caso evidenciou os desafios de segurança em torno de pesquisas sensíveis em IA, em um contexto de acirrada competição entre empresas e governos por vantagem nessa tecnologia transformadora.
"O réu fez todos os esforços para criar dispositivos de gravação personalizados e criptografados para gravar secretamente reuniões altamente confidenciais envolvendo funcionários e executivos seniores da OpenAI, contrapartes comerciais de alto nível e funcionários do governo, tudo isso enquanto se comunicava com indivíduos importantes na Arábia Saudita e buscava oportunidades — e fazia planos para viajar — para a Arábia Saudita", escreveram os promotores em um memorando de detenção.
O gabinete de imprensa do governo saudita não respondeu de imediato a um pedido de comentário. O advogado de Alfozan também não respondeu de imediato a um pedido de comentário.
O advogado, William Pernik, havia solicitado anteriormente a libertação de Alfozan da custódia, sujeita a condições que incluíam monitoramento de localização e a entrega de seu passaporte, e afirmou que Alfozan havia passado os últimos 15 anos nos EUA e solicitado a cidadania norte-americana.
Segundo documentos judiciais, o advogado afirmou que a viagem planejada por Alfozan à Arábia Saudita neste mês foi reservada antes de ele ser investigado e tinha como objetivo "motivos familiares e de imigração".
Na semana passada, promotores dos EUA acusaram Alfozan de usar um dispositivo eletrônico para interceptar comunicações orais.
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