Juiz nos EUA mantém prisão de engenheiro saudita que trabalhava na OpenAI
Um juiz federal dos Estados Unidos determinou hoje que o ex-engenheiro da OpenAI Abdulrahman Alfozan, de origem saudita, permaneça preso sem direito a fiança, pois considera que existe risco de fuga.
Alfozan, de 35 anos, é acusado de instalar um dispositivo de gravação em um dos escritórios da OpenAI, empresa criadora do ChatGPT, em São Francisco.
"Existe um risco significativo de não comparecimento", declarou o juiz Alex Tse após uma audiência de uma hora marcada principalmente pelo debate em torno da proposta do consulado saudita de cobrir integralmente uma eventual fiança.
O magistrado considerou a oferta "problemática". "Parece um cheque em branco", afirmou.
Os procuradores haviam solicitado a prisão preventiva de Alfozan alegando que ele mantinha contatos frequentes com um integrante não identificado da família real saudita.
O ex-funcionário compareceu ao tribunal hoje para a audiência sobre sua detenção.
Ele foi demitido da OpenAI e preso em 9 de outubro, podendo ser condenado a até cinco anos de prisão pela acusação de interceptação de comunicações orais.
Em documento apresentado ontem, a Procuradoria americana alegou que Alfozan, que trabalhava na OpenAI desde 2025, mantinha contatos frequentes com um membro não identificado da família real da Arábia Saudita.
Embora ele não seja acusado formalmente de espionagem, o diretor de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, Jay Clayton, sugeriu na semana passada que o caso pode ter implicações para a segurança nacional.
A nova manifestação judicial afirma que "a investigação do governo continua em andamento e pode resultar em acusações adicionais", acrescentando que o caso "é motivo de preocupação para a segurança nacional dos Estados Unidos".
"Quer o acusado pretendesse gravar reuniões da OpenAI para melhorar suas perspectivas de negócios, quer buscasse ajudar um governo estrangeiro, ou ambos, sua conduta constitui um crime", sustenta o documento.
Segundo a Procuradoria, o integrante não identificado da família real saudita tentou diversas vezes recrutar o engenheiro para uma iniciativa de inteligência artificial na Arábia Saudita.
O engenheiro respondeu "100", expressão usada para indicar plena concordância, acrescenta o documento.
Antes de sua prisão, Alfozan comprou uma passagem aérea somente de ida para Riade, com embarque marcado para 12 de outubro. Os procuradores alegam que a compra demonstra risco de fuga.
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