Da lama ao mundo: a história e o legado do manguebeat
Texto Priscila Carvalho | Design Caroline Aranha N o dia 30 de setembro de 2013, a MTV Brasil encerrou a sua transmissão na TV aberta.
As últimas horas da programação foram dedicadas a celebrar a trajetória da emissora, lançada por aqui em 1990 e que, dali em diante, seguiria como um canal a cabo.
Naquele dia, um dos desafios da produção foi decidir qual seria o último videoclipe a ser exibido.
Precisava, claro, ser algo bem brasileiro – e que sintetizasse o espírito do canal.
No fim, o escolhido foi o clipe da versão de “Maracatu Atômico” do pernambucano Chico Science e de sua banda, a Nação Zumbi, lançado em 1996.
“Maracatu Atômico” é uma música de 1974, composta por Jorge Mautner e Nelson Jacobina e que ficou famosa na voz de Gilberto Gil.
O clipe dos anos 1990 é colorido, psicodélico e com um ritmo frenético.
Mas a escolha não foi apenas estética.
O vídeo se tornou um dos símbolos do manguebeat, movimento nascido no Recife e na região metropolitana da capital, mas que logo ganhou projeção nacional na imprensa, em festivais – e na MTV.
Continua após a publicidade A principal proposta do manguebeat era incorporar as influências estrangeiras (como o punk e o hip-hop), cada vez mais populares no Brasil pós-ditadura, mas sem deixar de lado os ritmos regionais, como o maracatu e o coco.
A ideia era que a mistura ajudasse a reverberar a cultura local.
O manguebeat nasceu da lama, pois o Recife enfrentava uma severa crise.
Os problemas sociais, porém, serviram de combustível para a cena, que ressignificou o próprio conceito da lama (mais sobre isso adiante) e fez do movimento um dos mais importantes da cultura brasileira das últimas décadas.
Carnaval: qual foi o primeiro bloco da história do Brasil? Continua após a publicidade Ranking ingrato No início dos anos 1990, o Recife enfrentava estagnação econômica, desemprego, pobreza e violência urbana.
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