“Arma apontada para minha cabeça”: professora relata momentos de terror em CMEI de Curitiba
A professora Ana Nickel, que ficou refém de um homem armado ao lado de 13 crianças durante a invasão ao Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) São Braz, em Curitiba, relatou nas redes sociais os momentos de tensão vividos na sexta-feira (9).
Em um desabafo, a educadora afirmou que teve uma arma apontada para a cabeça e presenciou uma criança sendo enforcada pelo invasor.
“Fui rendida no chão sozinha sob a tutela de 13 crianças com uma arma apontada para a minha cabeça durante o meu horário de trabalho.
Vivi o episódio mais traumático da minha vida enquanto exercia uma das funções mais importantes da sociedade: cuidar, alimentar, ensinar, acolher e proteger crianças”, escreveu a professora.
A professora também criticou a forma como foi tratada após a ocorrência.
Segundo ela, mesmo depois de passar pela situação, foi orientada a manter a calma e continuar prestando apoio.
“Mas o que mais me revolta é pensar que não estamos seguros em lugar nenhum.
E o que vem a seguir mesmo após viver uma situação de terror, com uma arma apontada para a minha cabeça vendo minha criança ser enforcada em minha frente, em total estado de pânico”, relatou.
Ana afirmou ainda que precisou responder a questionamentos de familiares, superiores e policiais enquanto tentava lidar com o que havia acontecido.
“Escutar que precisava ser forte, que não deveria chorar e que precisava permanecer ali para prestar apoio ainda sob interrogatório de todas as partes: famílias, superiores, policiais.
Como se fosse possível simplesmente controlar o medo, conter o sofrimento e continuar funcionando normalmente depois de ver a morte em sua frente”, desabafou.
Professora critica condições de trabalho na educação Além de relatar a invasão, Ana Nickel questionou as condições enfrentadas pelos profissionais da educação pública.
Na publicação, citou sobrecarga de trabalho, falta de funcionários, acúmulo de funções, assédio moral e problemas de saúde física e emocional.
“Até quando a educação será sustentada pelo sacrifício de seus profissionais? Até quando seremos cobrados por resultados, responsabilizados por situações que fogem ao nosso controle e obrigados a demonstrar força enquanto nossa saúde física e mental é negligenciada?”, questionou.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bemparana.com.br — o conteúdo pertence a Bem Paraná.