Filme '100 Dias' é digno, apesar de não explicar fascínio por Amyr Klink
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Admito que nunca entendi o motivo do interesse que cercou os feitos de Amyr Klink , entre eles este inicial, a travessia do Atlântico , da Namíbia ao litoral baiano, num pequeno barco, sozinho, ao longo de cem dias. Por isso mesmo assisti ao filme de Carlos Saldanha com curiosidade sobre os efeitos que a viagem possa ter trazido ao mundo. Não reconheci grande coisa.
Embora brilhante e essencial para a viagem, a ideia de um lastro que impedia o barco de virar —agindo como uma espécie de joão-bobo, isto é, fazendo com que ele, ao emborcar, imediatamente voltasse à posição normal— não parece ter revolucionado a navegação.
Outra solução importante para a viagem foi a criação do alimento desidratado e dessalinizado. A segunda parte é fundamental, pois permite ao viajante reidratar a refeição com água do mar.
À parte isso, Klink tomou uma série de providências para sobreviver à travessia e executou tudo com aplicação e mesmo capacidade de improviso. Venceu, como se sabe, e se tornou o primeiro homem a atravessar o Atlântico etc.
O filme de Saldanha tem o mérito de não se tornar monótono. Problemas que certamente se repetiram várias vezes não são repetidos na tela. Da mesma forma, o filme se empenha em evitar a insistência em planos semelhantes, que também são fonte segura de desprazer para o espectador, quando se trabalha com um cenário único —no caso, o bote e o mar. A viagem é, sem dúvida, um desafio. Mas desafio a quê?
Pode-se pensar em "O Velho e o Mar", de Ernest Hemingway, em que a luta do velho pescador contra a adversidade é o que justifica a sua existência.
Em "100 Dias" , ao contrário, não existe exaustão, proximidade da tragédia, dúvida ou angústia profunda. No único episódio realmente crítico, quando o herói se perde em uma corrente errada, é salvo por radioamadores antes mesmo que se dê conta do tamanho do perigo em que está metido.
Ignoro se isso aconteceu desta maneira ou se o filme optou por manter o otimismo diante de possíveis desventuras evitadas durante a viagem. O fato é que Klink chegou, coroado como herói nacional, eis o que nos diz o filme.
Ele se abre, no entanto, a uma justificativa bem pessoal para o ato de viajar solitariamente. São seus profundos desencontros com o pai, descrito no filme como o vilão da história —quer dizer, aquele que nunca acreditou no filho, que desfazia de sua atração pelo mar, que o tinha na conta de um inútil, coisas desse tipo.
A antipatia paterna é compensada pela mãe e pelo irmão, que acompanham a travessia com interesse apaixonado.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.