Advogado acusa Meta de ter crianças como alvo em julgamento sobre vício
A Meta Platforms buscou intencionalmente viciar crianças em suas plataformas , Facebook e Instagram, em busca de lucro, afirmou uma advogada do estado da Califórnia nesta terça-feira (18), no início de um julgamento que pode trazer mudanças profundas em alguns dos aplicativos mais populares do planeta .
Megan O’Neill, procuradora-geral adjunta da Califórnia, disse a um júri de oito pessoas que o modelo de negócios da big tech era “viciar os usuários, retê-los pelo maior tempo possível, coletar seus dados e, em seguida, esconder a verdade do público “.
“Isso funcionou especialmente bem com crianças”, acrescentou O’Neill.
“A Meta precisava delas e precisava tranquilizar as pessoas que cuidavam delas de que estavam seguras.” Leia mais Redes sociais enfrentam enxurrada de processos nos EUA; entenda Meta afirma ter removido 756 mil contas de adolescentes australianos Tribunal dos EUA autoriza 3 mil processos contra redes sociais por vício O advogado da Meta, Paul Schmidt, rebateu em sua sustentação inicial que a empresa e seu cofundador e CEO, Mark Zuckerberg, compartilhavam o desejo de melhorar seus serviços, e não de torná-los perigosos.
“Eles não acreditam que terão sucesso se as pessoas não gostarem de seu serviço”, disse Schmidt.
Um grupo suprapartidário de 29 estados norte-americanos está processando a Meta , pedindo dezenas ou até centenas de bilhões de dólares em penalidades, além de mudanças na forma como a empresa opera.
Quatro estados que lideram a ação — Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey — acusam a Meta de projetar o Facebook e o Instagram para viciar jovens usuários, alimentando ansiedade, depressão e até suicídio, além de enganar os consumidores sobre a segurança das plataformas.
Os jurados ouvirão alegações de todos os 29 estados de que a big tech violou leis federais ao coletar e usar indevidamente dados pessoais de crianças enquanto elas utilizavam suas plataformas.
O maior teste até agora Espera-se que os jurados do tribunal federal de Oakland, na Califórnia, emitam um veredito consultivo, mas caberá à juíza distrital dos EUA, Yvonne Gonzalez Rogers, determinar a responsabilidade da Meta.
Se a juíza considerar a Meta responsável, Rogers poderá impor penalidades civis e ordenar mudanças no Facebook e no Instagram.
A Meta afirmou que não fez declarações enganosas sobre segurança e que os estados não demonstraram que seus residentes foram prejudicados.
Zuckerberg e o chefe do Instagram, Adam Mosseri, devem testemunhar.
O julgamento tem duração prevista de seis semanas.
Especialistas afirmam que o julgamento é o maior teste jurídico até hoje sobre os efeitos das redes sociais em jovens usuários, ocorrendo em meio a um escrutínio global mais amplo sobre esses impactos.
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