Leituras e estratégias para uma boa redação no Enem, segundo especialista
Na reta final do Enem, uma pergunta ainda costuma assombrar quem está estudando: quantos livros dá tempo de ler? A dúvida parece importante, mas talvez esteja apontando para o lado errado.
O problema pode não ser a quantidade de páginas, mas sim o que se consegue extrair delas.
Ademar Celedônio, diretor de ensino e inovação da Arco Educação, considera o erro mais comum nessa fase tratar a leitura como uma coleção de frases para citar na redação.
Para ele, o verdadeiro objetivo deveria ser ampliar a compreensão do Brasil e aprender a relacionar diferentes ideias .
Leia mais IA melhora o processo de aprendizagem ou apenas entrega respostas prontas? Como ler e decifrar manchetes jornalísticas em inglês Escrever bem virou sinal de suspeita de uso de IA? Entrevistado pela CNN Brasil , o especialista em preparação para vestibulares afirma: “É isso que transforma uma obra em repertório realmente produtivo”.
Mas, a essa altura dos estudos, alerta, não vale a pena tratar leitura como mais uma cobrança de última hora.
Essa história de dizer que o estudante precisa “ler mais” pode acabar gerando culpa e ansiedade, principalmente quando esse hábito — que deveria ter sido estimulado progressivamente desde o início do Ensino Fundamental — não foi construído ao longo da vida escolar.
A boa notícia, segundo Celedônio, é que mesmo quem não consolidou esse hábito pode começar com uma rotina realista , “por meio de reportagens, artigos de divulgação científica, crônicas e outros textos mais curtos, sempre acompanhados de uma leitura ativa”.
Que tipo de leituras realmente ajuda na reta final do Enem? O repertório que ajuda na hora da redação não precisa ser gigante, mas precisa ser bem escolhido • Jcomp/Magnific Antes de recomendar os livros, Celedônio faz uma ressalva: nos vestibulares com lista de leituras obrigatórias , essas deverão ter prioridade.
A leitura complementar entra depois, como forma de ampliar o repertório.
Nessa categoria, ele recomenda cinco obras.
Os livros são “Olhos d’água” de Conceição Evaristo, sobre racismo, desigualdade e a experiência das mulheres negras; “Quarto de despejo” de Carolina Maria de Jesus, diário sobre fome e exclusão na favela do Canindé; “Vidas secas” de Graciliano Ramos, sobre migração e seca no sertão; “A ralé brasileira” de Jessé Souza, sobre desigualdade estrutural; e “Ideias para adiar o fim do mundo” de Ailton Krenak, sobre a relação entre ser humano e natureza.
Além dessas sugestões, ele recomenda acompanhar sites e perfis de instituições como Embrapa, Pesquisa FAPESP, Jornal da USP e Jornal da Unicamp — fontes de divulgação científica que já apareceram como texto-base em provas: a Fuvest 2025, por exemplo, usou uma reportagem do Jornal da USP.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.cnnbrasil.com.br — o conteúdo pertence a CNN Brasil.