Borges: Lula mostrou a agentes econômicos que não será fiscalista
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Alexandre Borges afirmou que Lula deixou um recado direto ao mercado ao expor sua visão econômica e sinalizar que não pretende seguir uma linha fiscalista.
Borges disse que Lula apresentou uma visão "de esquerda barra keynesiana" e foi "muito sincero" ao tratar de economia. Segundo ele, a entrevista foi "bastante elucidativa e propositiva" ao explicitar a lógica de estímulo via consumo e crédito, em contraste com a cobrança por controle de gastos.
Na avaliação de Borges, a mensagem para os agentes econômicos foi que Lula não tem perfil fiscalista e rejeita a ideia de teto de gastos. "Os agentes econômicos do Brasil têm aí uma mensagem clara de que você realmente não tem um presidente fiscalista, que não gosta da ideia de teto de gastos, não gosta desse tipo de approach", afirmou.
João Paulo Charleaux disse que Lula foi claro ao defender que distribuir renda e ampliar crédito movimentam mais a economia do que concentrar recursos. "Ele tem maior fé, maior compromisso, com a ideia de que pouco dinheiro na mão de milhões de brasileiros tem mais efeito do que muito dinheiro na mão de poucos empresários", comentou.
Charleaux avaliou que a posição pode agradar eleitores alinhados à esquerda, mas preocupa quem olha para dívida, juros e inflação. Ele afirmou que esse tipo de leitura "deixa de cabelo em pé o mercado" por envolver risco de "estouro de teto", manutenção de juros altos e impacto no crédito.
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Borges comparou o debate fiscal a uma escolha entre "dar mais dinheiro" a quem já está endividado e "economizar" para reconstruir a capacidade de pagamento. Ele disse que essa segunda visão é "a visão hegemônica do mercado financeiro" e citou oscilações de humor do mercado conforme pesquisas eleitorais.
Borges afirmou que o mercado tende a reagir melhor a sinais de austeridade e pior a cenários de disputa mais apertada. "Quando o Flávio, que é visto por um lado mais fiscalista, quando ele aparece melhor nas pesquisas, o dólar cai e a bolsa sobe. A gente teve a bolsa caindo, o dólar subindo, porque as pesquisas já estão dando empate técnico", disse.
Charleaux disse que a clareza ajuda o eleitor a decidir ao ouvir "um pensamento estruturado" sobre economia. Para ele, Lula defendeu a ativação do mercado consumidor interno e a ampliação do crédito "mesmo que isso obrigue o Banco Central a baixar juros".
Borges avaliou que Lula saiu "sem maiores cicatrizes" e que a conversa foi "tranquila, no geral". Ele também apontou que o candidato chegou a criticar economistas "de uma maneira geral" e disse que "diverge até do Galípolo [Gabriel, presidente do Banco Central]".
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