Saladas não matam
Há alguns dias, um amigo sofreu uma grave infecção alimentar durante uma viagem ao exterior.
Precisou ser hospitalizado e voltou às pressas ao Brasil.
Uma refeição transformou-se num grande susto para ele e para todos nós.
O episódio aconteceu pouco depois de minha passagem pelos Estados Unidos para a final da Copa.
Naqueles dias, milhares de pessoas eram atingidas por surtos de Cyclospora, parasita que pode ser transmitido por água ou alimentos contaminados.
As autoridades americanas investigavam os casos e alertavam para a possibilidade de novos episódios, enquanto buscavam identificar as fontes de contaminação.
Um dos focos, aparentemente, foi um carregamento importado de alface iceberg – variedade que aqui nós chamamos “americana”.
Não faltou quem me orientasse: “Não coma salada”.
E, diante das notícias, encarar uma folha crua parecia exigir coragem.
Bastou o medo chegar ao prato para balançar nossos entendimentos.
A salada, tão associada à saúde, passou a representar perigo.
O cozimento, a fritura e a embalagem industrial assumem a imagem de escudos protetores.
Continua após a publicidade Cozinhar, conservar e processar alimentos são, de fato, fatores que contribuem para a segurança sanitária.
Assim, em certas situações, um produto fechado pode oferecer menos risco imediato.
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