EJA sofre com queda de matrículas e falta de investimento dos estados
Desde meados dos anos 2000, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) passou por um processo de “juvenilização”.
Aos poucos, foi deixando de ser predominantemente ocupada por idosos que não tiveram acesso à escolarização em etapas anteriores da vida para incorporar, de maneira crescente, jovens com histórico de reprovações e de abandono da escola ao longo da infância e da adolescência, que não concluíram a educação básica na idade regular.
A EJA mudou faz tempo, mas continua associada a um público mais velho que aprende, muitas vezes, a ler e a escrever nos seus bancos.
“Quando falo que trabalho na EJA é muito comum as pessoas dizerem ‘você trabalha com os velhinhos, né?’.
Essa visão equivocada ainda está muito enraizada e precisa ser superada” , diz Roberto Catelli Junior, coordenador institucional de Educação da Ação Educativa, em entrevista à coluna.
Doutor em Educação pela Universidade de São Paulo, Catelli é coordenador geral de um estudo recém-publicado pela Ação Educativa sobre evasão e abandono dos jovens da educação básica e as desigualdades educacionais e sociais no Brasil.
Lançado em uma iniciativa promovida pelo Instituto Îandé e Imaginable Futures , ele integrou uma série de oito estudos que reuniu especialistas de respeitados centros de pesquisa para identificar mecanismos que perpetuam desigualdades raciais em cada etapa da educação brasileira e apontar soluções.
QUEM SÃO OS ALUNOS DA EJA Quase a metade (44%) do total de 2,2 milhões de matrículas na EJA são de jovens de até 29 anos, de acordo com dados do Censo Escolar 2025.
Em algumas regiões, como Norte, Sul e Centro-Oeste, elas já superam os 50%.
Continua após a publicidade Segundo o relatório da Ação Educativa, estudos quantitativos indicam maior incidência dessa modalidade entre estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica que precisam conciliar estudo e trabalho e entre aqueles com trajetórias escolares marcadas por dificuldades acumuladas, como problemas relacionados a aprendizagem, episódios de reprovação e distorção idade-série.
“Não tenho dúvidas de que são as pessoas que têm a pior condição de vida do país, do ponto de vista econômico, e as maiores dificuldades para permanecer numa escola dada essas condições”, resume Catelli.
Dois terços das matrículas também costumam ser de alunos negros.
“Há anos em que essa proporção aumenta ou diminui um pouco, mas nunca é menos que dois terços”, calcula.
De acordo com o estudo da Ação Educativa, abandono, evasão e fracasso escolar não se distribuem de forma aleatória na sociedade.
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