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A metamorfose do olhar: 80 anos de fotografia japonesa em exposição na Biblioteca Nacional da França

RFI Brasil ·
A metamorfose do olhar: 80 anos de fotografia japonesa em exposição na Biblioteca Nacional da França

Rendez-vous cultural A metamorfose do olhar: 80 anos de fotografia japonesa em exposição na Biblioteca Nacional da França Publicado em: 09/10/2026 - 16:25

Ouvir - 05:51 No âmbito das comemorações do bicentenário da invenção da fotografia, a Biblioteca Nacional da França (BnF) acolhe a exposição "Fotografias Japonesas da BnF: Cenas, Signos, Sensações". A mostra reúne cerca de 300 obras, entre tiragens de época e publicações raras, e traça um panorama de oito décadas de criação visual no Japão, de 1945 a 2025. A curadoria é de Héloïse Conésa e Dominique Versavel, com consultoria científica de Yoshiaki Kai, da Universidade de Niigata, no Japão.

A BnF aparece, desde o final da década de 1960, como uma das primeiras instituições ocidentais a reunir e conservar sistematicamente a fotografia japonesa moderna e contemporânea. O acervo conta atualmente com cerca de 4.000 tiragens de 200 fotógrafos e uma centena de revistas e publicações históricas.

A constituição do fundo se deve em grande parte ao trabalho de conservadores como Jean-Claude Lemagny, que estabeleceram canais diretos de diálogo com artistas e editores do arquipélago. Um exemplo desse vínculo singular ocorreu no outono de 1975, quando Lemagny recebeu em sua mesa na biblioteca 125 cartões-postais fotográficos enviados diretamente do Japão.

A coleção se distancia de estereótipos ou tendênias. Ela reflete cruzamentos culturais e estéticos entre o Japão e o Ocidente, registrando desde os traumas do pós-guerra até as buscas espirituais e formais mais recentes.

A narrativa da exposição começa no período de reconstrução nacional pós-1945, marcado pela libertação da censura e pela necessidade de recompor uma memória coletiva. A fotografia documental e a fotorreportagem de tom humanista ganharam força com obras sobre as tragédias das bombas nucleares, que viraram marcos editoriais como Hiroshima (1958), de Ken Domon, Hiroshima-Nagasaki Document (1961), em parceria com Shōmei Tōmatsu, e Chizu / The Map (1965), de Kikuji Kawada. Paralelamente, observadores do cotidiano rural como Hiroshi Hamaya e Hiromi Tsuchida abordaram as tradições regionais e a transformação da sociedade.

A partir do final dos anos 1960, a emergência de movimentos de contestação urbana estimulou uma busca por linguagens mais subjetivas e viscerais. A revista vanguardista Provoke (1968-1969) sintetizou essa virada ao introduzir o estilo are, bure, boke (bruto, desfocado e granulado), popularizado por Daidō Moriyama para capturar o caos de Tóquio.

A conservadora-chefe e encarregada da coleção contemporânea, Héloïse Conésa, detalha essa sucessão de movimentos que estrutura a abertura da exposição:

"Há muitos movimentos que se sucedem no pós-guerra no Japão. A exposição começa com a reportagem social e humanista. Evocamos o período da estética bruta, desfocada e granulada do movimento Provoke e, em seguida, prosseguimos com uma visão mais próxima de uma forma de 'cotidiano estranho', através de um movimento que se desenvolveu em paralelo à Provoke, que é o da Konpora (fotografia contemporânea).

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.rfi.fr — o conteúdo pertence a RFI Brasil.

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