Sexta revolução tecnológica: a IA inaugura uma nova era ou conclui a revolução digital?
A hipótese de uma sexta revolução tecnológica ganhou força com a convergência entre inteligência artificial, biotecnologia, robótica, novos materiais e energia | Foto: Canva *Por Franklin Lacerda, economista e CEO da Análise Econômica E se a próxima revolução tecnológica já estiver em formação, enquanto ainda tentamos compreender a anterior? A hipótese de uma sexta revolução tecnológica ganhou força com a convergência entre inteligência artificial, biotecnologia, robótica, novos materiais e energia.
Mas há uma diferença entre observar tecnologias extraordinárias e afirmar que uma nova era econômica começou.
Em Technological Revolutions and Financial Capital , Carlota Perez identifica cinco grandes ondas desde 1771: mecanização industrial, vapor e ferrovias, aço e eletricidade, petróleo e produção em massa, e tecnologias da informação, cujo marco inicial situa em 1971.
Cada onda passa por instalação, turbulência e possível difusão em larga escala, conforme explica a economista em seus estudos sobre a evolução das revoluções tecnológicas .
A pergunta relevante, portanto, não é se a IA impressiona.
É se estamos diante de um novo paradigma de produção ou de uma etapa avançada da revolução digital.
Quando uma nova revolução realmente começa? A própria Perez recomenda cautela.
Em entrevista publicada em outubro de 2025 pela revista Development and Change , ela trata a inteligência artificial como parte da revolução da informação e rejeita a ideia de que o conjunto das tecnologias verdes, por si só, constitua outra revolução.
Seu critério é exigente: uma transformação desse porte precisa elevar a produtividade e reduzir custos em muitos setores, reunir tecnologias cujos conhecimentos se reforcem mutuamente e criar uma infraestrutura capaz de ampliar mercados.
É uma distinção essencial.
Painéis solares, terapias genéticas e modelos de linguagem podem crescer simultaneamente sem pertencer, necessariamente, à mesma onda.
Ainda assim, a sexta revolução tecnológica pode ser uma hipótese legítima se a combinação dessas frentes produzir capacidades que o paradigma digital, isoladamente, não explica.
O que estaria nascendo não seria simplesmente uma economia “mais verde”, mas um sistema em que informação passa a projetar, testar e transformar o mundo físico e biológico.
O capital já está se movimentando Os números ajudam a entender por que a hipótese merece atenção.
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