Fim de servidores em possível governo Flávio repercute no parlamento
A proposta apresentada pela coordenação econômica da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de substituir gradualmente servidores públicos por sistemas de Inteligência Artificial (IA) em vez de realizar novos concursos provocou forte repercussão política e institucional na Bahia.
A ideia, defendida pela ex-presidente da Caixa Econômica Federal e coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, prevê o enxugamento da máquina pública ao não repor o fluxo natural de aposentadorias no funcionalismo.
A medida, no entanto, encontrou dura resistência entre parlamentares baianos, entidades do setor público e analistas políticos.A controvérsia ganhou força após participação de Daniella Marques no podcast G4, em 30 de setembro, quando questionou a continuidade dos certames: "E aí substitui e faz outro concurso pra gente pagar? Ou dá pra ir substituindo por inteligência artificial no tempo?", declarou.
A economista já vinha sinalizando essa direção desde agosto, em eventos empresariais, defendendo a revisão de carreiras operacionais para reduzir a estrutura do governo federal para 20 a 25 ministérios, ante os 38 atuais.Reação parlamentarA sinalização do fim progressivo dos concursos públicos acendeu o sinal de alerta nas bancadas baianas no Congresso Nacional.
O senador Otto Alencar (PSD-BA) classificou as propostas como "vazias" e defendeu a indispensabilidade do concurso público para a manutenção da capacidade técnica do Estado."Servidores de carreira se fazem com concursos públicos.
Ninguém nomeia um auditor-fiscal, por exemplo.
São cargos que precisam de um certame para que se encontre material humano técnico", pontuou o senador.Na mesma linha, o deputado federal Daniel Almeida (PCdoB-BA) criticou o projeto, afirmando que a medida reflete uma postura de desvalorização do setor público.
Para o parlamentar, eventuais gestos de aceno ao eleitorado não passam de estratégia eleitoral."Segue a lógica do desprezo ao serviço público, ao servidor público, sem nenhuma garantia de direitos, com a lógica da privatização das atividades.
Mesmo que eles agora tentem afirmar ou fingem que estão comprometidos com serviços públicos, como o SUS e o concurso, a equipe e as pessoas que estão no entorno sabem que isso não é verdade.
Cabe reação, cabe denunciar e ficarmos atentos", declarou o deputado.
Dados contestadosA proposta também enfrenta contestação sob o aspecto estatístico e operacional.
Em 9 de outubro, o Sindicato dos Servidores das Justiças Federais no Estado do Rio de Janeiro (Sisejufe) publicou um alerta sobre os riscos da medida.
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