Líder do 'Partido das Baratas' é preso antes de manifestação em Nova Délhi, na Índia
Abhijeet Dipke, líder do movimento indiano conhecido como Partido Popular das Baratas, foi preso nesta sexta-feira (16), em Nova Délhi, antes de uma manifestação convocada pelo grupo para protestar contra a revisão das listas eleitorais. Desde maio, o movimento se consolidou como porta-voz da insatisfação de parte da juventude indiana. O grupo e a oposição exigem a renúncia do presidente da Comissão Eleitoral, Gyanesh Kumar.
O movimento afirma que a revisão das listas eleitorais, conduzida pelo órgão, teve o objetivo de beneficiar exclusivamente o campo político do primeiro-ministro Narendra Modi, que está no poder desde 2014. A Comissão Eleitoral nega qualquer irregularidade.
Pela segunda vez em menos de uma semana, Dipke foi detido diante das câmeras das emissoras de televisão locais."Ditadura!", reagiu nas redes sociais o Partido Popular das Baratas (CJP, na sigla em inglês).
No fim de semana passado, as forças de segurança prenderam milhares de pessoas em Nova Délhi, mais de 20 mil, segundo a imprensa local, para impedir uma manifestação organizada pelo CJP. Dipke foi detido a bordo de um avião que acabava de pousar na capital e permaneceu preso por 24 horas.
Na terça-feira, outros dois dirigentes do movimento foram presos após entrarem em uma área do centro da capital onde manifestações são proibidas e agitarem bandeiras da Índia . Eles foram colocados em detenção por pelo menos cinco dias.
Em resposta, Abhijeet Dipke convocou seus apoiadores para uma concentração na tarde desta sexta em uma praça do centro de Délhi. As autoridades, porém, determinaram o fechamento do local por "razões administrativas".
"Por que vocês têm tanto medo das Baratas?", questionou Dipke pouco antes de ser preso. "Quero dizer a Narendra Modi que não temos medo. Se balançar a bandeira da Índia nos leva à prisão, estamos prontos para isso", acrescentou.
A polícia advertiu que qualquer descumprimento das medidas impostas pelas autoridades "resultará em providências legais". Ao mesmo tempo, informou que permitiria a reunião de "algumas pessoas" em um "local apropriado". Milhares de policiais e um número semelhante de barricadas foram mobilizados nesta sexta-feira na região central da cidade.
O ministro da Defesa, Rajnath Singh, criticou os manifestantes, acusando-os de querer "destruir as instituições democráticas e criar o caos" . "Eles não estão se mobilizando contra a reforma eleitoral, nem contra Gyanesh Kumar, nem pelo futuro dos jovens deste país", declarou à imprensa. "Estão se mobilizando para tomar o poder e instalar a anarquia."
Nos últimos dias, a controvérsia em torno da revisão das listas eleitorais transformou-se em um cabo de guerra entre o CJP, a oposição e o governo de Modi.
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