Problema da base no Brasil está na transição, não no número de estrangeiros
Não é o número de estrangeiros que limita a criação de novos talentos no futebol brasileiro. O problema é estrutural e fica longe de ser atacado com as principais medidas da CBF anunciadas ontem com a redução gradual de gringos, chegando a no máximo cinco por time em 2030.
A coluna conversou com alguns especialistas que trabalham com base por aqui e ouviu as mesmas ponderações de quase todos eles. O Brasil vai continuar vendendo seus principais talentos na juventude por falta de poderio econômico.
Mesmo Palmeiras e Flamengo, hoje exemplos pela organização, não conseguem recusar uma proposta na casa dos 40 milhões de euros por nenhum dos seus atletas. Isso sem contar na vontade do jovem de já nascer querendo ir para a Europa.
Há, no entanto, formas de você estancar a sangria e elas não passam pela redução do número de gringos. Os clubes precisam melhorar suas condições financeiras, para, consequentemente, conseguirem recusar propostas baixas. Não dá para o destaque do São Paulo sair por 15 milhões de euros.
Partindo do princípio que os bons continuarão sendo vendidos, os clubes também precisam ter (AINDA) mais paciência com os jovens que estão na segunda ou terceira prateleira, os que não são destaques já aos 16 anos.
Isso significa apostar na evolução dos jovens, entender que nem todo mundo é craque aos 18 anos e dar estrutura para que ele se desenvolva. Mas no meio da pressão do futebol brasileiro, onde um técnico cai com três jogos, isso será possível?
Nesse sentido, eles elogiaram a ideia de aumentar a obrigação de jogadores sub-23 na lista de inscritos até 2030 e acrescentam que o ideal seria um número mínimo de minutos disputados por atletas da base em cada campeonato.
Todos foram unânimes ao mostrar que o Palmeiras, que hoje é referência em base no Brasil, só conseguiu esse posto porque investiu na estrutura, na captação de talentos, está estável financeiramente e tem a mesma equipe de trabalho há muito tempo.
A possibilidade que Abel Ferreira tem de observar talentos e dar tempo para que eles se desenvolvam é muito elogiada, nem tanto com nomes como Endrick e Estêvão, já vendidos antes da maioridade, mas com outros como Allan e Vitor Reis.
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