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Novo golpe consegue trocar números que aparecem em ligações para contatos de parentes da vítima; entenda como funciona

Por Redação 5News · · com informações de G1
Novo golpe consegue trocar números que aparecem em ligações para contatos de parentes da vítima; entenda como funciona

Golpistas usam falsificação de números em chamadas para enganar vítimas e aplicar fraudes

Uma nova modalidade criminosa vem ganhando espaço no Brasil, colocando em risco a segurança de celulares e smartphones. Trata-se de um tipo de fraude capaz de fazer com que o identificador de chamadas de um telefone mostre dados completamente falsos na tela de quem recebe a ligação — nomes de parentes, instituições bancárias e até delegacias de polícia aparecem como se a chamada fosse legítima, quando na verdade vem de criminosos atuando por trás de uma operação clandestina. O problema foi identificado em Foz do Iguaçu, no Paraná, onde uma moradora descobriu que seu próprio número havia sido utilizado para aplicar golpes sem que seu aparelho tivesse sido invadido ou comprometido.

Como funciona a falsificação de chamadas

A técnica utilizada pelos criminosos chama-se spoofing, termo que descreve a prática de forjar a identificação de uma ligação. De acordo com especialistas em segurança da informação, golpistas contratam os serviços de centrais telefônicas que operam com softwares desenvolvidos especificamente para permitir a alteração de dados. Através dessas plataformas ilegais, os fraudadores conseguem fazer alterações no identificador de chamadas que será exibido no smartphone da vítima, fazendo com que pareça que a ligação vem de um número que a pessoa conhece e confia.

O procedimento é relativamente simples do ponto de vista técnico. Um criminoso acessa uma dessas centrais telefônicas comprometidas e, antes de fazer a chamada para sua vítima, edita manualmente qual número deve aparecer na tela do receptor. Se o objetivo é enganar alguém fingindo ser um parente, o golpista coloca o número daquele parente como identificador. Se pretende fazer-se passar por um banco, utiliza o número da instituição financeira. Quando a ligação chega ao aparelho da vítima, tudo parece legítimo — o contato já está salvo na agenda, e o número corresponde àquele que a pessoa conhece.

A sofisticação dessa abordagem está justamente na simplicidade com que burla os sistemas de identificação de chamadas convencionais. Praticamente todos os smartphones modernos dependem de dados transmitidos pela operadora de telefonia para exibir o identificador. Quando esses dados vêm de uma central comprometida, o aparelho não tem como saber que se trata de uma falsificação.

O episódio registrado em Foz do Iguaçu

A autônoma Cláudia Simone da Silva de Oliveira foi alvo dessa fraude de forma involuntária. Seu número pessoal foi utilizado por golpistas para fazer ligações a seus contatos, sem que ela tivesse qualquer controle sobre isso. Tudo começou quando um dos seus parentes recebeu uma chamada em que aparecia o nome e o número telefônico de Cláudia no identificador de chamadas. Ao atender, quem chamava não se apresentava normalmente — havia apenas uma música tocando em seguida, e depois vinha uma mensagem comunicando que a pessoa havia ganhado um prêmio.

O parente de Cláudia desconfiou imediatamente da situação. Embora o número e o nome exibidos parecessem reais, o padrão da ligação — uma mensagem genérica sobre premiar alguém — é claramente suspeito. O familiar realizou uma ação simples mas eficaz: tirou uma captura de tela da tela de seu aparelho no momento da chamada e procurou Cláudia para confirmar se ela havia feito a ligação. Quando os dois conversaram, ficou evidente que tratava-se de um golpe.

O mais preocupante nesse cenário é que o aparelho de Cláudia nunca foi clonado, invadido ou comprometido. Seu telefone funcionava completamente normal, e ela mantinha acesso total a seus dados e suas funções. O que os criminosos fizeram foi apenas falsificar a identificação de chamadas que aparecia na tela do parente — sem acessar o aparelho da vítima em nenhum momento. Isso significa que qualquer pessoa pode ter seu número telefônico utilizado dessa forma por criminosos, independentemente de suas práticas de segurança digital.

Casos adicionais e expansão do golpe

O episódio de Cláudia não é uma ocorrência isolada. No início do mês de setembro de 2026, a afiliada da Rede Globo em Foz do Iguaçu divulgou informações sobre um alerta emitido pela Polícia Civil local. A polícia havia documentado casos em que criminosos utilizavam o número oficial da delegacia para fazer ligações falsas. Isso representa uma escalada alarmante: não apenas números de pessoas comuns são falsificados, mas também números de órgãos públicos de segurança. Essa prática aumenta significativamente a probabilidade de sucesso do golpe, pois as vítimas confiam naturalmente em chamadas provenientes de delegacias de polícia.

O papel emergente da inteligência artificial

Especialistas alertam que a ameaça pode se tornar exponencialmente mais grave com o avanço da tecnologia de inteligência artificial aplicada a áudio. Segundo análises de professores de Ciência da Computação especializados em segurança, é cada vez mais possível utilizar algoritmos de IA para reproduzir a voz de uma pessoa com alta fidelidade, utilizando como base alguns segundos de áudio da voz dessa pessoa. Se um criminoso combinar a falsificação de chamadas com a imitação de voz por IA, o resultado seria uma experiência praticamente indistinguível de uma ligação legítima.

A situação torna-se ainda mais crítica quando os golpistas combinam essas tecnologias com narrativas de urgência. Uma ligação que simula ser de um familiar, usando a voz de uma pessoa através de IA, e que comunica que houve um acidente ou uma emergência, deixa pouco tempo para a vítima pensar racionalmente. O padrão psicológico do golpe é justamente evitar que a pessoa tenha momentos de reflexão que possam despertar desconfiança.

Contexto: spoofing e o estado da segurança de chamadas telefônicas

O spoofing não é uma técnica nova no universo da cibersegurança. Há décadas pesquisadores alertam sobre essa vulnerabilidade dos sistemas de telefonia. Porém, a disponibilidade crescente de ferramentas para executar esses ataques, combinada com a sofisticação trazida pela inteligência artificial, torna a ameaça mais tangível e mais acessível para criminosos comuns.

Os sistemas de identificação de chamadas atuais, embora pareçam ser seguros, confiam em informações transmitidas pelas operadoras. Quando essas operadoras são comprometidas ou quando criminosos contratam serviços de centrais telefônicas clandestinas, praticamente não há defesa técnica no aparelho da vítima. Os smartphones apenas exibem os dados que recebem da operadora — não possuem mecanismos internos sofisticados para validar a autenticidade desses dados em tempo real.

A prática do spoofing abusa dessa confiança fundamental que existe na cadeia de comunicação telefônica. Durante décadas, foi razoável assumir que o número exibido no identificador de chamadas era confiável porque estava vinculado a infraestrutura complexa e regulada de operadoras de telefonia. Com a criminalidade moderna e a disponibilidade de ferramentas de hacking, essa suposição se tornou frágil.

O que acompanhar

Diversos desdobramentos podem ocorrer a partir desse tipo de fraude. Autoridades de segurança e legisladores podem intensificar investigações sobre operadoras de telefonia que vendem serviços a criminosos. Pode haver pressão regulatória para que operadoras implementem sistemas mais robustos de validação de identificadores antes de transmitir as chamadas. Também é possível que campanhas públicas sobre spoofing ganhem maior visibilidade, educando a população sobre como desconfiar de chamadas mesmo quando o identificador parece legítimo.

Além disso, a evolução da tecnologia de inteligência artificial pode levar a desenvolvimentos tanto defensivos quanto ofensivos — criminosos aperfeiçoando a falsificação de vozes, enquanto pesquisadores desenvolvem ferramentas para detectar áudios artificiais. Órgãos como a Polícia Civil tendem a abrir investigações mais robustas sobre o tema, eventualmente desarticulando redes de criminosos que usam essas técnicas. Por fim, pode haver uma mudança no comportamento de vítimas em potencial, que aprenderão a sempre confirmar chamadas suspeitas através de outros canais de comunicação, mesmo que o identificador pareça confiável.

Principais pontos:

• Golpistas utilizam a técnica de spoofing para falsificar o identificador de chamadas, fazendo números e nomes de contatos legítimos aparecerem na tela de vítimas

• Uma autônoma de Foz do Iguaçu descobriu que seu próprio número foi utilizado para fraude sem que seu aparelho tivesse sido clonado ou comprometido

• A técnica pode se tornar mais perigosa com o uso de inteligência artificial para imitar vozes, combinada com narrativas de urgência que não deixam tempo para reflexão

• Órgãos públicos, incluindo delegacias de polícia, já relataram casos de golpes que utilizam seus números oficiais para enganar vítimas

Ler a notícia completa no G1 ›

Matéria produzida pela Redação 5News com apoio de inteligência artificial a partir da apuração de G1 — os fatos do episódio vêm da matéria original; o contexto usa informação pública consolidada. Veja nossa política editorial. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1.

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