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“Heróis nacionais”: quatro vezes em que Flávio Bolsonaro defendeu a ditadura

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“Heróis nacionais”: quatro vezes em que Flávio Bolsonaro defendeu a ditadura

Em discursos na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), participações em eventos dedicados à memória do período ditatorial e no livro biográfico que escreveu sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador e candidato à Presidência do Brasil Flávio Bolsonaro (PL) reiterou várias vezes sua admiração pelo que chama de “revolução militar” brasileira , o período antidemocrático que vigorou no país entre 1964 e 1985.

Segundo os registros públicos da Alerj, durante seu período como deputado estadual do Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro proferiu pelo menos 12 discursos com elogios à ditadura, entre 2004 e 2011, frequentemente na mesma data do golpe, o dia 31 de março.

Além de homenagear militares e exaltar a história do golpe de 1964, Flávio também criticou a Comissão Nacional da Verdade (CNV), criada pela Lei nº 12.528/2011 e instalada em 2012 para investigar as violações de direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988, e defendeu que integrantes da repressão recebessem reconhecimento público.

A seguir, quatro episódios em que o presidenciável defendeu o período militar com nostalgia.

1.

“Avanço social” Em 31 de março de 2004, durante pronunciamento na Alerj, Flávio Bolsonaro saiu em defesa do regime militar e criticou a “visão negativa” que se tem sobre o período.

O discurso foi feito no aniversário do golpe que derrubou o presidente João Goulart, em 1964, e deu início a uma ditadura que duraria 21 anos.

“Fica aqui o meu repúdio a essa massificação que é feita com relação ao regime militar, esquecendo-se do grande avanço econômico, social e político que tivemos”, declarou na ocasião.

Em 1964, um conluio entre as Forças Armadas brasileiras depôs o então presidente em exercício, João Goulart, que havia assumido o cargo após a renúncia de Jânio Quadros.

Jango, como era conhecido, queria implementar um Plano Trienal para a economia, elaborado pelo economista Celso Furtado, a fim de ajustar as contas públicas e retomar o crescimento econômico entre 1963 e 1964.

Entre as propostas defendidas pelo governo estavam as reformas de base, que incluíam mudanças estruturais em áreas como a agrária, a fiscal e a educacional.

A nacionalização das refinarias de petróleo também integrava as reivindicações de setores que apoiavam o governo.

Essas propostas contrariaram interesses de grupos conservadores brasileiros e dos Estados Unidos, que apoiaram a oposição a Goulart e contribuíram para criar as condições políticas para sua deposição, em 31 de março de 1964.

O regime, que durou 21 anos, restringiu direitos políticos, cassou mandatos, interveio em sindicatos e universidades, censurou a imprensa e perseguiu opositores.

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