Ministro de El Salvador defende política de Bukele durante congresso da Fiesp em SP
O ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro, defendeu nesta segunda-feira (31), em São Paulo, as políticas de combate à criminalidade adotadas pelo governo do presidente Nayib Bukele . Villatoro foi a principal autoridade presente no Congresso de Segurança Pública da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Durante o evento, o ministro classificou como “hipócritas” os defensores dos direitos humanos que, segundo ele, criticam as medidas adotadas pelo governo salvadorenho sem considerar os resultados obtidos no combate à violência.
Um dos principais argumentos apresentados por Villatoro foi a redução da taxa de homicídios em El Salvador. Segundo dados reunidos pelo governo britânico, o índice, que era de 106 mortes por 100 mil habitantes em 2015, caiu para 1,9 por 100 mil habitantes em 2024.
As mudanças na política de segurança começaram a ganhar força em 2022, quando o governo de Bukele decretou um regime de exceção para combater organizações criminosas como a Mara Salvatrucha (MS-13) e o Barrio 18, gangues que tinham forte atuação no país.
Desde o início das medidas, mais de 90 mil pessoas foram presas. A política, porém, é alvo de críticas de organizações de direitos humanos e de questionamentos relacionados a possíveis violações constitucionais, além de denúncias de prisões em processos coletivos.
Villatoro rebate as críticas citando a popularidade de Bukele. Segundo o ministro, o presidente salvadorenho mantém índice de aprovação superior a 90%.
Além da experiência de El Salvador, o congresso promovido pela Fiesp apresentou três pesquisas sobre segurança pública e os impactos econômicos provocados pela criminalidade no Brasil.
De acordo com um dos levantamentos, 84% dos brasileiros afirmam que a insegurança retira dinheiro do orçamento familiar. Quase oito em cada dez entrevistados disseram ter tido algum tipo de custo financeiro relacionado à segurança nos últimos 12 meses.
Os gastos incluem medidas adotadas pelas próprias famílias para tentar reduzir a exposição à criminalidade e proteger patrimônio e rotina.
A violência também interfere nas decisões profissionais. Uma em cada quatro pessoas ouvidas afirmou já ter deixado de aceitar uma oportunidade de trabalho por medo da criminalidade.
O problema também é percebido dentro das empresas. Seis em cada dez entrevistados afirmam que suas atividades profissionais enfrentam dificuldades provocadas pela presença de facções criminosas, milícias ou outras organizações criminosas.
Para o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, o objetivo do congresso foi ampliar o debate sobre segurança pública e buscar propostas que possam contribuir para melhorar o cenário brasileiro.
O Congresso de Segurança Pública da Fiesp também reuniu políticos que disputam as eleições deste ano. Entre os participantes estavam Alfredo Gaspar (PL), candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro; Sergio Moro (PL), candidato ao governo do Paraná; e Guilherme Derrite, candidato ao Senado por São Paulo.
Os três demonstraram apoio às políticas de segurança adotadas pelo governo de Nayib Bukele em El Salvador.
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