O cinema está PERDENDO sua cor e sua magia? ‘Da Magia à Sedução 2’ ESCANCARA como os filmes estão genéricos e superficiais
‘ Da Magia à Sedução 2 ‘ me decepcionou. Reassistindo ‘ Da Magia à Sedução ’ (1998) pela 33ª vez, uma coisa ficou ainda mais evidente: que filme fantástico. E não estamos falando apenas da nostalgia de rever Sandra Bullock e Nicole Kidman jovens ou de ouvir músicas que imediatamente nos transportam para o final dos anos 1990. O longa dirigido por Griffin Dunne parece pertencer a uma época em que grandes produções de Hollywood ainda tinham uma preocupação quase obsessiva em possuir personalidade. Existe cor, textura, profundidade, atmosfera e, principalmente, sentimento. Você olha para uma única cena e sabe exatamente qual filme está assistindo. Quase três décadas depois, assistir a ‘ Da Magia à Sedução 2’ logo após o original provoca uma sensação estranha: tecnicamente temos câmeras melhores, efeitos melhores e muito mais possibilidades digitais, mas será que os filmes realmente ficaram mais bonitos?
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O primeiro ‘ Da Magia à Sedução ’ é um ótimo exemplo de como a fotografia podia participar da narrativa. O diretor de fotografia Andrew Dunn não simplesmente registrava os atores: ele ajudava a construir aquele universo. Os verdes, azuis, amarelos e tons quentes transformavam a cidade e a casa das Owens em lugares que pareciam existir em algum ponto entre o mundo real e um conto de fadas. A fotografia não tinha medo da escuridão, mas também não tinha medo das cores. O preto era preto. A luz do sol era quente. A noite era azul. A cozinha parecia acolhedora. O jardim parecia mágico. A direção de arte fazia o espectador desejar entrar naquele mundo. Não por acaso, quase 30 anos depois, a casa das Owens continua sendo uma das locações fictícias mais lembradas do cinema : ela foi concebida para funcionar praticamente como outra personagem da história, com arquitetura vitoriana, varanda, jardim de inverno, antiguidades e objetos produzidos especialmente para o cenário.
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Mas o problema não está apenas na imagem. ‘ Da Magia à Sedução ’ entendia algo que Hollywood parece esquecer cada vez mais: antes de construir uma franquia, é preciso construir personagens. Sally e Gillian não são apenas duas protagonistas colocadas ali para movimentar uma trama sobrenatural. São duas irmãs completamente diferentes que se amam profundamente. Sally deseja uma vida normal porque teme aquilo que sua própria família representa. Gillian corre na direção oposta: quer experimentar tudo, apaixonar-se, viajar, errar e fugir. As tias Frances e Jet não existem apenas para explicar a mitologia. Elas têm personalidade. Até os romances possuem função dramática. Quando Sally conhece Gary, existe química, conflito, desejo e perigo. O espectador quer que aqueles personagens fiquem juntos, mesmo sabendo que o amor pode literalmente matá-los.
E o mais impressionante é que tudo isso acontece em apenas 1 hora e 44 minutos . O filme consegue ser romance, comédia, fantasia, drama familiar, história sobre violência doméstica e até terror sobrenatural.
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