Faria Lima errou todas as projeções porque a paixão não aceita cálculo
Na sexta-feira antes da decisão do segundo turno, por volta das 14h, o pessoal da Faria Lima, nome pelo qual ficou conhecido o núcleo do sistema financeiro brasileiro, celebrava antecipadamente a vitória de seu candidato Flavio Bolsonaro. Amparados por quase 30 estudos e cálculos que apontavam uma suposta vantagem numérica do candidato da extrema-direita, o time que ganha dinheiro sem produzir nada decidiu que era isso e ponto final. Estourem os prosecco.
Podemos imaginar a cara desses patriotas quando a vitória de Lula por mais de quatro milhões de votos se confirmou. Seria, claro, prudente não confiar nas previsões dessa galera. O que exatamente eles acertaram nas últimas décadas? Não conseguiram prever sequer a quebradeira de 2008. Não acertam nenhuma de suas projeções a respeito da economia e, ainda assim, seguem sendo convocados para seguir prevendo.
Dessa vez, o erro extrapolou a base de conhecimento deles. Não conseguiram medir a onda de amor e engajamento que varreu o Brasil. De fato, a paixão não aceita cálculos e não cabe em planilhas. Devem estar assombrados com o que viram e com o resultado das eleições. Amanheceram fechados, reunidos, tentando entender a debacle. Então a união de pessoas em torno de uma luta emancipatória explode todas as métricas? Como seguir vivendo se suas certezas foram demolidas? O que fazer com os estudos que garantiram que Bolsonaro Junior venceria?
As melhores coisas da vida não permitem cálculo e não aceitam ser confinadas em planilhas. O povo brasileiro foi gigante e mostrou ao mundo como se vence o fascismo. Se continuarmos mobilizados, não haverá Faria Lima capaz de impedir a revolução.
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